Mundo

Candidato da extrema-direita francesa aponta metralhadora para jornalistas e é comparado a Bolsonaro

Eric Zemmour é famoso por suas declarações nacionalistas, racistas e sexistas

Fotos: Reprodução/Redes Sociais
Fotos: Reprodução/Redes Sociais

O pré-candidato às eleições presidenciais da França, Eric Zemmour, causou polêmica esta semana ao apontar uma metralhadora para um grupo de jornalistas durante um evento. O episódio suscitou críticas e o político, que é um dos representantes da extrema-direita atualmente, foi comparado com o líder brasileiro, Jair Bolsonaro.

A cena foi filmada durante uma visita ao Militol, um maiores salões mundiais dedicados à segurança, realizado nos arredores de Paris. Cercado de repórteres, Zemmour apreciava uma metralhadora quando o representante do estande disse: “quando o senhor for presidente, será protegido por esse tipo de arma”.

Nesse momento, o pré-candidato decidiu empunhar a metralhadora e apontar para os jornalistas, antes de dizer, sorrindo: “ça rigole plus, là” (“agora ninguém mais dá risada”). A imagem foi fotografada, filmada e logo viralizou, suscitando debates na classe política.

Enquanto alguns viram na cena algo grotesco, com Zemmour segurando a arma como se fosse um brinquedo, outros interpretaram o ato como uma espécie de ameaça. “Em uma democracia, a liberdade de imprensa não é uma piada e não deve ser nunca ameaçada”, declarou a ministra francesa encarregada da Cidadania, Marlène Schiappa.

Ao analisar o episódio durante debates em emissoras de rádio e televisão, vários comentaristas compararam Zemmour a Donald Trump e Jair Bolsonaro. “As imagens lembram alguns dirigente populistas, como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, um ex-capitão cujo gesto que o caracteriza é o sinal de uma pistola”, disse o correspondente da agência de notícias Bloomberg em Paris, Samy Adghirni. O jornalista ressaltou ainda que Trump “também havia adotado um culto às armas de fogo”.

Zemmour no segundo turno

O episódio acontece na mesma semana em que Zemmour, um ex-jornalista sem nenhuma experiência em cargos políticos, desponta nas pesquisas de opinião para a corrida presidencial de abril 2022, antes mesmo de todas as candidaturas oficiais serem anunciadas. Segundo um estudo encomendado pelo jornal Le Monde, divulgado nesta sexta-feira 22, o ex-jornalista aparece com 16% das intenções de voto, à frente da líder tradicional da extrema-direita, Marine Le Pen, que registra 15%.

Se a eleição fosse hoje, Zemmour, que é famoso por suas declarações nacionalistas, racistas e sexistas, iria para o segundo turno e enfrentaria o atual presidente Emmanuel Macron. O chefe de Estado ainda não anunciou sua candidatura oficial, mas lidera as pesquisas de opinião há meses.

Assine nossa newsletter

Receba conteúdos exclusivos direto na sua caixa de entrada.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fonte confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!