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Britânicos protestam a favor de segundo referendo sobre Brexit

Dois anos após a votação favorável à saída do Reino Unido da União Europeia, manifestantes saem às ruas de Londres para exigir novo pleito

Cresce o número de britânicos arrependidos
Cresce o número de britânicos arrependidos

Manifestantes saíram às ruas de Londres neste sábado 20 para protestar a favor da realização de um referendo sobre os termos do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. Organizadores anunciaram a manifestação como a maior do tipo já realizada.

A marcha, organizada pela campanha People’s Vote (voto do povo), ocorre num momento em que aumenta a pressão sobre a primeira-ministra britânica, Theresa May, devido à estratégia de negociação com a UE a pouco mais de cinco meses do prazo estipulado para o Reino Unido deixar o bloco.

Até agora, não foi alcançado um acordo para o Brexit, e rebeldes do Partido Conservador, de May, ameaçaram vetar um eventual pacto ruim alcançado pela premier.

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Organizadores da marcha deste sábado, em direção à Praça do Parlamento, estimam o número de participantes em 500 mil, parte deles trazidos por cerca de 150 ônibus à capital.

Para James McGorry, um dos organizadores, a população deveria ter a chance de mudar de ideia, porque o Brexit deve impactar a vida dos britânicos durante gerações.

“Os cidadãos acham que as negociações do Brexit são uma bagunça total, elas não acreditam que o governo vá cumprir as promessas que foram feitas, em parte porque elas não podem ser cumpridas”, disse.

No referendo sobre o Brexit, realizado em junho de 2016, mais da metade (52%) dos eleitores votou a favor da saída da União Europeia, mas os ânimos mudaram no país nos últimos dois anos diante das dificuldades nas negociações entre Londres e Bruxelas. Muitos temem que o Reino Unido acabe deixando o bloco sem um acordo ou permaneça numa fase de transição por vários anos, com poucas mudanças perceptíveis, mas sem voz na UE.

“O que está claro agora é que as únicas opções colocadas sobre a mesa pela primeira-ministra é um acordo ruim para o Brexit ou nenhum acordo”, disse o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que se juntou à marcha deste sábado, à emissora BBC. “Isso está muito distante do que foi prometido há dois anos e meio.”

Khan, do Partido Trabalhista, de oposição, afirmou que o protesto em Londres é uma “marcha pelo futuro” dos jovens britânicos, incluindo aqueles que eram jovens demais para votar no referendo de 2016.

Algumas pesquisas de opinião mostraram uma leve guinada a favor da permanência na UE, e participantes da marcha deste sábado afirmam que teriam votado de maneira diferente se soubessem qual seria o verdadeiro preço a pagar pelo Brexit.

“Acho que as pessoas foram enganadas de diversas maneiras”, disse o empresário Peter Hancock à agência de notícias AFP. “Queremos permanecer europeus. Não conseguimos ver qualquer benefício na saída”, completou a esposa, Julie, que também se juntou à marcha.

May já descartou repetidas vezes a possibilidade de realizar um segundo referendo. O Partido Trabalhista, por sua vez, se disse aberto a uma segunda votação que incluísse a opção da permanência no bloco europeu em certas circunstâncias.

Apoiadores do Brexit afirmam que um novo referendo provocaria uma crise constitucional. “Nós tivemos uma votação e votamos pela saída. A ideia de ter outro referendo seria incrivelmente prejudicial”, afirmou Richard Tice, vice-presidente da organização Leave Means Leave, que defende um divórcio claro da UE.

A última grande marcha em Londres em prol de um segundo referendo foi realizada em junho passado e estima-se que tenha reunido cerca de 100 mil manifestantes.

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