Mundo

Beatles lançam ‘última música’ com ajuda da Inteligência Artificial

‘Now and Then’ era umas das músicas de uma fita cassete que Lennon gravou para McCartney em seu apartamento em Nova York, um ano antes de ser assassinado

Créditos: Wikimedia Commons
Apoie Siga-nos no

A voz de John Lennon soa “cristalina” na nova e “última” música dos Beatles, lançada nesta quinta-feira 2 com a ajuda da inteligência artificial (IA), mais de quatro décadas depois da gravação de sua demo.

“Now and Then”, escrita e gravada por Lennon em 1978, foi concluída por seus companheiros Paul McCartney e Ringo Starr, e também pela IA.

A música foi divulgada às 14h GMT (11h no horário de Brasília) pela Apple Corps, Capitol e Universal Music Enterprises. Um videoclipe estreará na sexta-feira.

McCartney, de 81 anos, havia anunciado seu lançamento em junho, em um vídeo promocional, como sendo “a última música dos Beatles”.

“É muito emotiva e todos tocamos nela. É uma autêntica gravação dos Beatles”, disse em um vídeo no YouTube antes do lançamento.

“Now and Then” era umas das músicas de uma fita cassete que Lennon gravou para McCartney em seu apartamento em Nova York, no edifício Dakota, em 1979, um ano antes de ser assassinado.

A viúva de Lennon, Yoko Ono, a entregou a McCartney em 1994.

As outras duas músicas, “Free as a Bird” e “Real Love”, foram produzidas por Jeff Lynne e lançadas em 1995 e 1996, respectivamente.

O mesmo havia sido tentado com “Now and Then”, mas o projeto acabou sendo arquivado devido a um ruído de fundo na demo.

“Como se John estivesse lá”

Agora foi possível, graças à IA, cujo uso gera debate na indústria musical, onde alguns denunciam supostas violações de direitos autorais enquanto outros celebram suas possibilidades.

Depois de aplicar esta nova tecnologia à gravação, “lá estava a voz de John, cristalina”, explicou McCartney.

Os dois Beatles vivos concluíram “Now and Then” no ano passado, incluindo a parte de violão e guitarra elétrica que George Harrison havia gravado em 1995.

Nos estúdios da Capitol, em Los Angeles, acrescentaram os ‘backing vocals’, a bateria de Ringo e o baixo, o piano e um solo de guitarra de McCartney, inspirado no estilo de Harrison.

O baterista de 83 anos disse que o processo foi “o mais próximo que chegaremos de tê-lo (Lennon) de volta e foi muito emocionante para nós”.

“Foi como se John estivesse lá. Foi fantástico”, declarou.

“A última” dos Beatles

Sean Ono Lennon, o filho de John e Yoko, afirmou que foi “incrivelmente comovente” ouvir os Beatles novamente juntos “depois de todos estes anos sem meu pai”.

“É a última música que meu pai, Paul, George e Ringo fizeram juntos. É como uma cápsula do tempo e parece que estava destinado a ser assim”, disse.

A banda de Liverpool se separou em 1970. Todos iniciaram carreiras solo e nunca mais voltaram a tocar juntos como um quarteto.

McCartney contou que, no início, hesitava se deveriam terminar a música ou deixá-la inacabada.

“Cada vez que pensava nisso eu me dizia: ‘Espera um minuto, digamos que eu tivesse a oportunidade de perguntar a John’ (…) Te garanto que a resposta teria sido ‘Sim!'”, explicou.

Lennon foi assassinado em frente a seu edifício em Nova York em 1980, aos 40 anos. Harrison morreu de câncer de pulmão em 2001, aos 58.

“Now and Then” será lançada como duplo lado A, com o single de estreia da banda em 1962 “Love me Do” e uma capa criada pelo artista americano Ed Ruscha.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor…

O bolsonarismo perdeu a batalha das urnas, mas não está morto.

Diante de um país tão dividido e arrasado, é preciso centrar esforços em uma reconstrução.

Seu apoio, leitor, será ainda mais fundamental.

Se você valoriza o bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando por um novo Brasil.

Assine a edição semanal da revista;

Ou contribua, com o quanto puder.