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A 3 dias do 2º turno, como jornais argentinos noticiam alegações de Milei sobre ‘fraude’

O ultradireitista ‘imita’ Jair Bolsonaro e Donald Trump. Ele disputa a Casa Rosada contra o peronista Sergio Massa

Javier Milei e Sergio Massa, candidatos à Presidência da Argentina. Fotos: Juan Mabromata e Luis Robayo/AFP
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Às vésperas do segundo turno da eleição para a Presidência da Argentina, marcado para o próximo domingo 19, a ultradireita intensifica suas acusações infundadas de fraude no processo.

Os principais jornais argentinos reproduziram nesta quinta-feira 16 as alegações, com algumas diferenças na cobertura. Disputam a Presidência Javier Milei (La Libertad Avanza), da extrema-direita, e Sergio Massa (Unión por la Patria), representante do peronismo.

No início da noite, ganhava destaque na edição digital do Clarín uma notícia intitulada La Libertad Avanza denunciou uma ‘fraude colossal’: acusa a Gendarmería de alterar o conteúdo das urnas para favorecer Sergio Massa.

O texto dá amplo destaque a uma das acusações. Em linhas gerais, lideranças do partido de Milei sustentam que a Gendarmería (uma força de segurança de natureza militar), em conluio com “chefes regionais”, alteraria o conteúdo das urnas e a documentação “por outras que modificam em favor do partido no poder e de Sergio Massa”.

Encabeçam a empreitada Karina Milei, irmã do candidato, e o advogado Santiago Viola. Segundo eles, “por questões de segurança”, a fonte que teria revelado a suposta fraude “prefere permanecer anônima”.

No documento, pedem que a Justiça garanta “uma participação mais ativa no dispositivo de custódia e segurança (…) à Força Aérea e à Marinha”.

Apenas nos três últimos parágrafos da reportagem o Clarín oferece a resposta da Justiça Eleitoral, a explicar que a legislação já autoriza que os partidos monitorem as urnas desde o final da votação até a sua recepção pela mesa eleitoral, “como acontece em todas as eleições”.

A Justiça ressalta, também, que “as tarefas de coordenação e execução relativas às medidas de segurança estão a cargo do Comando Geral Eleitoral chefiado pelo Exército Argentino, de acordo com as atribuições estabelecidas”.

La Nación, outro jornal de grande circulação na Argentina, publicou uma matéria intitulada O campo de Milei lançou uma série de ações “contra fraudes”: “Fazemos isso para não chorar depois”.

A reportagem também detalha as acusações e questiona o que Milei fará no domingo caso seja derrotado por uma margem estreita de votos. Um dos principais colaboradores do ultradireitista, segundo o jornal, respondeu: “A decisão sobre a atitude a tomar dependerá de Javier. Nesse cenário, aconselho que esperem pela contagem final dos votos para reconhecer o resultado”.

O jornal, porém, também destacou a reação de Sergio Massa e da deputada Graciela Camaño às alegações do partido de Milei, em uma matéria intitulada Massa e Camaño rejeitam as acusações de fraude e acusam Milei de imitar Trump e Bolsonaro.

Clarín e La Nación são dois jornais historicamente antiperonistas e extremamente críticos ao presidente Alberto Fernández, à vice-presidenta Cristina Kirchner e a Massa.

Já o jornal Pagina12, identificado com o peronismo, publicou uma matéria crítica sobre as alegações de Milei, sob o título Justiça desarticulou as acusações de fraude por parte de La Libertad Avanza.

Neste caso, o veículo conferiu protagonismo à resposta judicial para rebater as alegações de Milei e companhia. O jornal reforçou que “a apresentação do partido de Milei foi mais um passo em sua estratégia de gerar angústia na população e instalar a ideia de ‘fraude’ no segundo turno do próximo domingo”.

Enquanto os partidários de Milei vociferam contra o processo eleitoral, Massa afirmou ter “enorme confiança no trabalho que cada juiz eleitoral e a Câmara Nacional Eleitoral vêm realizando há muitos anos”. Durante um ato em Buenos Aires, ele declarou que “essa ideia de Trump e de Bolsonaro, como forma de não aceitar resultados, é muito ruim”.

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