Google é obrigado a tirar do ar mais um vídeo de blogueiro contra Boulos

Candidato do PSOL é alvo de acusações de abertura de empresas fantasmas e prática de lavagem de dinheiro; juiz aponta informações falsas

 Guilherme Boulos. Foto: Reprodução/YouTube

Guilherme Boulos. Foto: Reprodução/YouTube

Justiça

A Justiça Eleitoral determinou que a empresa Google retire do ar, imediatamente, mais um vídeo com acusações de um blogueiro contra o candidato Guilherme Boulos (PSOL). Na decisão desta sexta-feira 13, ele cita o mandado que ocorreu dois dias antes e que foi cumprido pela companhia americana.

 

 

 

O blogueiro Oswaldo Eustáquio diz que Boulos abriu empresas fantasmas para praticar lavagem de dinheiro. Eustáquio já foi preso a mando do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que apura atos antidemocráticos.

Na decisão, o juiz Emílio Migliano Neto, da 2ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), escreve que o conteúdo é “sabidamente inverídico”.

“O representado, que se identifica como jornalista investigativo, reitera as gravíssimas imputações que já tiveram sua falsidade reconhecida por esta Justiça especializada”, escreve o juiz.

No segundo vídeo suspenso pela Justiça, Eustáquio diz que “enquadra e desmascara Boulos em São Paulo”. As imagens já foram retiradas do YouTube, mas seguem na conta do Twitter do blogueiro. Na ocasião, os dois discutem em um corredor por causa da acusação.

A medida judicial tem caráter liminar, ou seja, cumpre determinação de urgência. A decisão servirá para intimar as partes do processo e, em seguida, basear um julgamento final. Migliano Neto pediu que o Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifeste. Também convidou Eustáquio para apresentar sua defesa.

 

O que dizem o blogueiro e Boulos

O blogueiro disse que uma empresa chamada Kyrion foi aberta em maio de 2020, apenas para receber 500 mil reais e desviar dinheiro público.

“Nossa equipe foi até o local que deveria funcionar a empresa e explodiu o esquema”, escreveu.

Acrescentou ainda que Boulos pagou 28 mil reais para a empresa Filmes de Vagabundo. O blogueiro disse que foi ao local e “descobriu que tudo é uma fraude e que a empresa não funciona no local”.

Nas redes sociais, Boulos confirmou a data da fundação da empresa Kyrion, mas rebateu as demais alegações.

Segundo ele, o contrato permite que os serviços sejam prestados remotamente, por causa da pandemia, “razão pela qual não há atividade de campanha na sede administrativa da empresa”. O candidato disse que a Kyrion presta serviços de planejamento e acompanhamento de pesquisas contratadas pela campanha, monitoramento e análise de redes sociais.

Boulos disse também a produtora Filmes de Vagabundo foi registrada em setembro de 2018, no endereço residencial da proprietária, a cineasta Amina Jorge. Segundo ele, Amina mudou de residência três meses depois, mas não atualizou o novo endereço jurídico na Junta Comercial.

As afirmações de Eustáquio foram reproduzidas pelo candidato Celso Russomanno (Republicanos) em dois debates: na quarta-feira 11, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo em parceria com o portal UOL, e na quinta-feira 12, na emissora TV Cultura. Em resposta, Boulos chamou Russomanno de “cara de pau” e citou a decisão judicial que trata a acusação como fake news.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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