Internacional

Conflito

"Tensão não ameaça brasileiros no Equador", diz embaixador do Brasil em Quito

por Agência Brasil publicado 30/09/2010 18h24, última modificação 30/09/2010 18h32
Fernando Simas Magalhães disse que o clima de tensão não coloca em perigo a votação em trânsito da comunidade brasileira no domingo

Por Renata Giraldi

A crise instaurada hoje (30) no Equador colocou em alerta a Embaixada do Brasil em Quito. O embaixador do Brasil no Equador, Fernando Simas Magalhães, disse à Agência Brasil que o clima de tensão não ameaça a comunidade brasileira no país, que reúne pouco mais de 600 pessoas, nem põe em risco a votação de brasileiros que vivem no país no próximo domingo. Porém, o diplomata afirmou que a instabilidade não permite fazer previsões.

Desde a madrugada, várias regiões do Equador foram tomadas por protestos de policiais que reagem ao fim das concessões de bônus e gratificações, por ordem do presidente do Equador, Rafael Correa. Houve manifestações em Quito e nas principais cidades do país o que provocou confrontos entre os manifestantes e os simpatizantes de Correa.

Correa disse que há um clima de golpe de Estado no Equador. Por determinação dele, os ministros das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, e da Política (espécie de Gabinete Civil), Doris Solís, pediram apoio às associações e grupos civis organizados.

A seguir, os principais trechos da entrevista de Fernando Simas Magalhães à Agência Brasil.

Agência Brasil: O clima no Equador é de golpe de Estado?
Fernando Simas Magalhães: Pelas informações de autoridades do governo, se houver um golpe de Estado, não será no estilo tradicional. Mas no Equador, os movimentos políticos fluem muito rápido. O que começou como um movimento de um grupo isolado de policiais insatisfeitos com mudanças definidas pelo governo ganhou uma outra dimensão durante o dia. É preciso observar e manter o alerta.

Abr: O que está acontecendo de fato no Equador?

Magalhães: Aparentemente o que gerou a tensão foi um ato promovido por militares, da Polícia Nacional, que desaprovou as últimas medidas adotadas pelo governo de suspender o pagamento de bonificações destinadas à categoria. O movimento era uma ação isolada, mas acabou ganhando algumas adesões. Pela manhã, militares da Força Aérea equatoriana fecharam a Base Aérea em Quito em apoio a estes militares. Então é preciso aguardar para observar até onde esses manifestações vão se estender.

Abr: Pela manhã, o presidente ameaçou dissolver o Parlamento e em seguida, vieram as manifestações. Uma situação tem relação com a outra?

Magalhães: A tensão aumentou no momento que presidente Rafael Correa resolvir ir até o local onde estava o maior número de manifestantes. Houve agressões. Também ocorreram desentendimentos entre os manifestantes favoráveis ao governo e os contrários. Está na Constituição o direito ao presidente de dissolver a Assembleia Nacional em casos específicos. É a morte cruzada, como chamam aqui. Não é nova a afirmação do presidente, há muito tempo ele faz referência a este mecanismo da Constituição.

Abr: O presidente Correa tem apoio de outros setores para evitar o agravamento da crise?

Magalhães: O alto comando militar já informou que é subordinado ao presidente Rafael Correa e que obedece às suas orientações. Há um clima de instabilidade, mas os setores específicos que apoiam o governo buscam manter a ordem e prestar solidariedade ao presidente da República.

Abr: A comunidade brasileira está segura? Será possível manter a votação no domingo?

Magalhães: A comunidade brasileira está em segurança. Enviamos circulares para todos os brasileiros, cadastrados na embaixada, informando sobre o que está ocorrendo e relacionando com as eleições de domingo (3). A princípio está mantida a votação, sem alterações. Mas temos de observar os acontecimentos e ver quais são as orientações. [Pelos dados da Justiça Eleitoral há 497 eleitores cadastrados para votar no país].

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