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Primavera Árabe

Síria mantém 27 centros de tortura, diz Human Rights

por Redação Carta Capital — publicado 03/07/2012 11h42, última modificação 06/06/2015 18h41
O relatório foi divulgado após o Conselho de Segurança da ONU, a Turquia e a Liga Árabe firmarem um acordo para uma transição política no país
Síria

Foto da cidade de Homs no dia 1º de julho. Foto: ©AFP

A organização de direitos humanos, Human Rights Watch, denunciou nesta terça-feira 3 a existência de 27 centros de tortura na Síria. Segundo relatório da organização, ex-presos e desertores identificaram a localização, os métodos de tortura e até os dirigentes dos centros de detenção que são comandados pelo serviço secreto da Síria.

Segundo a Human Rights, a maioria das vítimas é formada por homens entre os 18 e os 35 anos, mas há também entre as vítimas crianças, mulheres e idosos. De acordo com o relatório, a maior parte das torturas ocorreu nas instalações dos departamentos de Informações Militares, de direção da Segurança Política e nas direções-gerais de Informações e da Força Aérea da Síria, conhecidas como mukhabarat, segundo a organização.

“Todas as testemunhas entrevistadas descreveram que só as condições dos centros de detenção podem já ser consideradas formas de maus-tratos, por causa da superlotação, má alimentação e recusa sistemática de assistência médica”, diz o relatório.

A organização pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que envie ao Tribunal Penal Internacional (TPI) uma denúncia contra a Síria e que adote sanções contra os responsáveis pelos abusos. Eles pediram ainda que o presidente Sírio, Bashar Al Assad, seja responsabilizado por crimes contra a humanidade.

Desde o março do ano passado, mais de 16,5 mil pessoas foram mortas na Síria em decorrência dos conflitos entre as forças de segurança do presidente Assad e rebeldes contrários ao seu governo.

Troca de lado.  No último sábado 30, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a Turquia e os países da Liga Árabe chegaram a um acordo, em Genebra, sobre os princípios para uma transição propostos por Annan.

Segundo  afirmou nesta terça-feira Ahmad Fawzi, porta-voz do emissário internacional Kofi Annan, a reunião internacional permitiu uma "mudança" nas posições de Rússia e China. "Não se deve subestimar a mudança que aconteceu sábado, especialmente no que diz respeito à posição de Rússia e China", disse Fawzi à imprensa.

O porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, insistiu que a solução consiste em aplicar o plano de Annan. "Para isto, a violência deve cessar e o fluxo de armas detido", declarou Colville. "As duas coisas estão inextricavelmente ligadas", completou.

Entre os princípios do acordo figura a formação de um governo de transição que inclua membros do atual governo e da oposição. Apesar do resultado da reunião ter sido considerado positivo pela equipe de Kofi Annan, a maioria dos grupos de oposição sírios criticou o acordo, e o apelidou de "farsa", já que prevê um governo de transição que poderá incluir membros do regime atual.

Com informações da Agência Brasil e da AFP (leia mais em AFP Móvel)

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