Internacional

Nações Unidas

O mundo gira, a ONU trava

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 22/09/2011 15h40, última modificação 23/09/2011 12h21
Obama e as velhas potências lutam para deter a história, Dilma e os BRICS querem fazê-la

Dilma rousseff foi tão crítica de Washington quanto era possível sem causar uma crise diplomática. Ainda mais incisivo que o apoio explícito ao Estado Palestino e à sua admissão nas Nações Unidas – “lamento não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na ONU, é chegado o momento de a termos aqui representada” – foi a condenação explícita às guerras promovidas pelos Estados Unidos no Oriente Médio.

“O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia; inaugurando novos ciclos de violência; multiplicando os números de vítimas civis. Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger.” O plural refere-se tanto a Bush júnior no Iraque quanto a Barack Obama na Líbia, igualmente irresponsáveis.

No que tange à economia, os países ricos foram criticados por atacado: “Esta crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países... Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e de clareza de ideias”.

Ao mesmo tempo, os BRICS anunciam ajuda financeira à União Europeia em apuros. Dificilmente a salvarão, mas é um símbolo precoce da rapidez com que o mundo se transforma. Invertida a situação de há menos de dez anos, países como o Brasil estão em posição de mandar o G-7 fazer a lição de casa. Mesmo se também foi o caso de criticar a China na área econômica – “países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos” (vale também para a Alemanha) –, e na comercial: “É necessário impor controles à guerra cambial... trata-se de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas (EUA) quanto pelo artifício do câmbio fixo (China)”.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 665 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 23

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