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Tragédia no mar

"Não estou entendendo mais nada", disse piloto antes do Air France cair

por Redação Carta Capital — publicado 28/05/2011 10h08, última modificação 28/05/2011 10h13
As causas do acidente ainda não são conhecidas. Um dos mistérios são os motivos pelos quais os pilotos não conseguiram recuperar o controle do avião

Enquanto perdia o controle do avião Airbus, um dos três pilotos do voo 477 chegou a dizer que não estava “entendendo mais nada” sobre o que acontecia com a aeronave que, em pouco mais de três minutos, caiu de uma altura de 11,5 mil metros no Oceano Atlântico, em 2009, matando 228 pessoas.

A informação, reproduzida pelo site da BBC Brasil, foi dada pelo diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), Jean-Paul Troadec.

Segundo ele, a frase foi ouvida durante a transcrição da caixa-preta – equipamento que grava as conversas dos pilotos e qualquer som emitido na cabine, como alarmes.

Troadec, informou a BBC, pretende concentrar as investigações nas diferentes ações dos pilotos diante do problema da perda das indicações de velocidade do avião, causada pelo congelamento dos sensores, os chamados tubos pitot.

O BEA acredita que os sensores de velocidade, que ficam na parte externa do avião, tenham ficado entupidos por cristais de gelo formados em alta altitude. A ideia é analisar qual foi o treinamento individual dos pilotos e quais procedimentos de emergência foram aplicados.

Em nota divulgada na sexta-feira 27, o BEA informou que a velocidade de queda da aeronave foi de 200 quilômetros por hora.

As causas do acidente ainda não são conhecidas e, segundo o BEA, ainda não há como saber se houve falhas dos pilotos. Um dos mistérios, relata a BBC, são os motivos pelos quais os pilotos não conseguiram recuperar o controle do avião.

Em nota, o BEA informou que, após entrar em uma zona de turbulência, os pilotos foram confrontados a duas velocidades diferentes durante pouco menos de um minuto, uma delas indicando uma perda brutal da velocidade do avião.

Mas o diretor da organização afirma que as informações sobre a velocidade voltaram a ser indicadas um minuto após a perda desses dados nos computadores de bordo. O nível de turbulência no momento, segundo o órgão, não era elevado.

Um relatório feito por especialistas, a pedido da Justiça francesa, aponta que a tripulação da Air France não estaria bem preparada para enfrentar o problema de congelamento dos sensores de velocidade em alta altitude, por falta de formação e de treino. Com base nesse relatório, feito em março deste ano, a Justiça francesa indiciou a Airbus e a Air France por homicídio culposo.

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