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Empresário assume presidência do Paquistão

por AFP — publicado 30/07/2013 13h41
Parlamento elegeu Mamnoon Hussein, o homem de confiança do primeiro-ministro Nawaz Sharif
Aamir Qureshi / AFP
Paquistão

O Parlamento elegeu o empresário Mamnun Hussein como novo presidente do Paquistão

ISLAMABAD (AFP) - O Parlamento paquistanês elegeu nesta terça-feira 30 o empresário Mamnoon Hussein como novo presidente do Paquistão, país muçulmano de 180 milhões de habitantes e vítima de ataques dos talibãs.

O candidato da Liga Muçulmana (PML-N) sucederá Assif Ali Zardari, cujo mandato termina no dia 8 de outubro.

Mamnoon superou sem dificuldades o seu adversário em uma votação ocorrida poucas horas após um ataque realizado pelos talibãs paquistaneses do TTP contra uma prisão do norte do país que permitiu a fuga de 250 detidos.

No Paquistão, o presidente é eleito por um comitê de membros do Parlamento nacional e de deputados das assembleias de quatro províncias. Cada província dispunha nesta eleição do mesmo número de votos, em uma tentativa de manter um equilíbrio mínimo em um país onde a metade da população vive em Punjab.

Esta eleição, prevista inicialmente para o dia 6 de agosto, foi adiantada para esta terça-feira pelo Tribunal Supremo, uma decisão criticada pelo Partido do Povo Paquistanês (PPP) do presidente Zardari.

Esta formação passou à oposição após a derrota sofrida nas legislativas de maio, conquistadas por ampla maioria pela Liga Muçulmana (PML-N) de Sharif.

Frustrado pela decisão da Justiça, o PPP, atualmente a principal força da oposição, boicotou esta eleição que, matematicamente, não tinha nenhuma possibilidade de vencer.

Devido ao boicote do PPP, à renúncia de alguns candidatos e à rejeição de outras candidaturas, apenas dois aspirantes disputavam o cargo de presidente.

Mamnoon Hussein, um dos barões do PML-N que fez fortuna no setor têxtil e que foi brevemente governador da província de Sind em 1999, enfrentou Wajihudin Ahmed, um ex-juiz do Tribunal Supremo aposentado que defende o Tehreek-e-Insaf (PTI), o partido ascendente do ex-astro do críquete Imran Khan.

Este homem de 73 anos de idade, nascido na Índia como vários outros líderes paquistaneses de seu geração, antes da divisão das Índias britânicas em agosto de 1947, é o homem de confiança do primeiro-ministro Nawaz Sharif, que deve continuar a ser o mestre do jogo político do país.

De fato, uma emenda constitucional em 2010 deu mais poder à câmara baixa do Parlamento e ao primeiro-ministro, o que não impediu o presidente Zardari comandar a situação.

O mandato de Zardari foi marcado por uma primeira transição democrática entre dois governos civis, mas minada pelo aumento atentados realizados por grupos islâmicos armados ou mafiosos e uma crise energética que atinge o setor industrial.

Uma vez fora do poder, Asif Ali Zardari poderia deixar o Paquistão para evitar ser morto como sua ex-esposa Benazir Bhutto, em dezembro de 2007, e o chefe de sua guarda pessoal, assassinado em meados de julho em um atentado. Optando pelo exílio também evitaria eventuais acusações de corrupção, consideram os analistas.

Zardari tentou, sem sucesso, durante o último ano trazer seu filho Bilawal Bhutto Zardari, jovem diplomado de Oxford, ao primeiro plano da máquina política do PPP a fim de facilitar uma transição no partido.

"Há uma crise de liderança no PPP(...). Bilawal não esta em posição de gerir os assuntos do partido. Ele precisa do apoio de seu pai. Se Zardari deixar o Paquistão, não poderá ajudar seu filho", considera o analista Hasan Askari.

Musharraf será indiciado por morte de Bhutto

O ex-presidente paquistanês, Pervez Musharraf, será formalmente acusado do assassinato de sua adversária Benazir Bhutto, que morreu em 2007 durante um comício eleitoral, um primeiro revés para o ex-chefe do Exército do Paquistão, indicaram nesta terça-feira seus advogados.

Musharraf, que retornou ao Paquistão no final de março depois de quatro anos no exílio, foi rapidamente pego por um vários casos, incluindo pela suspeita de tramar o assassinato de Bhutto, que foi morta em dezembro de 2007 em um ataque com armas de pequeno porte seguido de um atentado suicida.

O ex-general, sob prisão domiciliar em sua mansão perto da capital Islamabad, se apresentou nesta terça-feira para uma audiência em um tribunal anti-terrorista, indicou à AFP o promotor Chaudhry Azhar.

Musharraf deve comparecer novamente a uma audiência em 6 de agosto. "As acusações de formação de quadrilha e homicídio serão lidas em sua presença nesta ocasião. Ele deverá ler a ata de acusação e assiná-la para que os processos judiciais prossigam", acrescentou o promotor.

Um dos advogados de Musharraf, Ahmed Raza Kasuri, assegurou que o ex-militar, que chegou ao poder em 1999 após um golpe de Estado, não se reconhece culpado neste caso, mas que se apresentará ao tribunal.

Ninguém foi condenado pelo assassinato de Benazir Bhutto. O regime de Musharraf acusou na época o chefe do Talibã paquistanês TTP, Baitullah Mehsud, que negou qualquer envolvimento.

Além do caso Bhutto, Musharraf está na mira de um tribunal paquistanês pela imposição de um estado de emergência em 2007 e pelo assassinato, um ano antes, em uma operação militar de Akbar Bugti, um líder rebelde da província do Baluchistão (sudoeste).

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