Grande mídia sonha com candidato que derrote Lula e Bolsonaro, diz Greenwald

Desejo é encontrar um nome na centro-direita, sem considerar Ciro Gomes, avalia o jornalista

O jornalista Glenn Greenwald comenta periodicamente sobre os principais assuntos do noticiário no canal de CartaCapital no YouTube. Foto: Reprodução

O jornalista Glenn Greenwald comenta periodicamente sobre os principais assuntos do noticiário no canal de CartaCapital no YouTube. Foto: Reprodução

Glenn Greenwald,Política

“O fato de a mídia estar tão dedicada a derrotar Bolsonaro não significa que vá estar pronta para apoiar o PT”, afirmou o jornalista Glenn Greenwald, em seu programa quinzenal no canal de CartaCapital no YouTube, nesta quarta-feira 9.

Para Greenwald, a grande imprensa ainda busca uma 3ª via para derrotar os dois candidatos, mas também rejeita apoiar Ciro Gomes (PDT) nessa disputa.

 

 

O sonho ideológico sempre foi viabilizar uma candidatura do PSDB, analisa ele. Para 2022, ainda há a esperança de encontrar algum nome à direita.

“Eles ainda têm um sonho sobre um candidato de centro-direita que possa ganhar de Lula e Bolsonaro. Acho que é um sonho vazio, mas deve ser a postura da mídia brasileira”, examina. “É óbvio que não se vai poder criar uma 3ª via. Talvez com Ciro, mas eles querem Doria ou alguém assim.”

Greenwald observa “ódio” da grande imprensa contra uma eventual candidatura petista, como na eleição de 2018, quando houve posição de “uma escolha muito difícil” diante do 2º turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT).

Com Lula, há maior dificuldade de angariar apoio no setor mais conservador da população. Caso o petista levante bandeiras mal vistas por religiosos, como pautas relacionadas a gênero e sexualidade, pode sofrer perda significativa de votos, avalia o jornalista.

Será, portanto, um desafio para a esquerda decidir qual será sua postura em relação ao candidato com mais chances de derrotar Bolsonaro. Cobrar de Lula o compromisso com determinadas pautas pode minar as chances de obter o apoio popular necessário para que ele chegue ao Palácio do Planalto em 2023.

Uma solução pode ser analisada com base na campanha de Pedro Castillo no Peru, candidato da esquerda que evitou pautas como aborto e casamento igualitário ao enfrentar a extrema-direita. Essa alternativa, no entanto, pode ser desagradável para o campo progressista brasileiro, que dá a esses temas importância cada vez maior.

“Quando foi eleito, Lula conseguiu focar na economia, e evangélicos, católicos e demais religiosos votaram nele. Quando ele se candidatar em 2022, a esquerda vai ter a postura de ‘nós exigimos que você fale em favor do aborto e de LGBTs’ ou vai ter a postura de ‘a única coisa que importa é que você ganhe de Bolsonaro’?”, questiona Greenwald.

A 2ª estratégia foi adotada nas últimas eleições dos Estados Unidos, diz o jornalista, quando a esquerda decidiu apoiar Joe Biden em nome da derrota de Donald Trump. Apesar de não concordar com uma série de condutas do candidato do Partido Democrata, a esquerda percebeu a necessidade de superar um dos presidentes mais conservadores que já passaram pela Casa Branca.

“A esquerda nos Estados Unidos tinha essa mentalidade de que era crucial tirar Trump do poder. Obviamente não gostavam do Joe Biden, mas isso não tem a menor importância. Ele tinha que ganhar a eleição”, comenta.

Assista ao programa na íntegra a seguir:

 

 

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