Educação

O que se sabe sobre o novo ataque a tiros em uma escola de São Paulo

Uma adolescente morreu e três ficaram feridos. O caso é investigado pelo 70º Distrito Policial (Vila Ema)

Créditos: FLORENCE GOISNARD / AFP
Apoie Siga-nos no

Um estudante de 16 anos que cursava o 1º ano do Ensino Médio é o autor do ataque a tiros na Escola Estadual Sapopemba, zona leste da cidade de São Paulo, nesta segunda-feira 23. Uma aluna morreu e outros três ficaram feridos.

Segundo informações da Polícia Civil, o garoto usou um revólver calibre .38 no ataque. A arma seria do pai do jovem e era legalizada.

O suspeito já havia registrado um boletim de ocorrência, em 24 de abril, alegando ter sofrido agressões e ameaças de outros alunos. Ele foi detido e o caso está sob investigação no 70º Distrito Policial (Vila Ema).

A adolescente Giovanna Bezerra, de 17 anos, morreu no ataque após ser atingida por um disparo na cabeça. As outras três vítimas foram encaminhadas ao Pronto Socorro do Hospital de Sapopemba e têm quadro estável, segundo informações médicas. Uma delas já teve alta.

O suspeito foi apreendido pela Polícia Militar. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ele disse à polícia que aprendeu a atirar assistindo a vídeos no Youtube. O veículo também teve acesso a uma troca de mensagens do jovem na plataforma Discord, na qual ele chegou a afirmar que a motivação para cometer o crime era “se sentir poderoso”.

Em nota, o Discord afirmou cooperar com as autoridades.

“Temos políticas rigorosas contra atividades que promovam violência e ódio, incluindo ‘não ameaçar ou prejudicar outro indivíduo ou grupo de pessoas'”, diz o comunicado. “Quando tomamos conhecimento de conteúdo ou comportamento potencialmente prejudiciais, investigamos e tomamos as devidas medidas, incluindo: remover conteúdo, banir usuários e desativar servidores. Estamos comprometidos em cooperar com as autoridades locais para proporcionar um ambiente positivo e seguro para nossos usuários no Brasil.”

As manifestações de Tarcísio, Dino e Lula após o ataque

Em declaração após o ataque, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou a necessidade de repensar as ações para tentar coibir a violência nas escolas.

“É o momento de novamente a gente fazer uma profunda reflexão sobre a efetividade daquilo que a gente tem colocado em prática desde a ocorrência de março, no Thomazia, na Vila Sônia, e infelizmente a gente se depara de novo com essa situação”, disse.

Segundo ele, o colégio contava com ronda escolar ativa e atendimento de psicólogos.

“A escola tem que ser um local seguro, a escola tem que ser um local de convivência. A gente tem que ter a habilidade de desenvolver nos alunos capacidade para enfrentar situações do dia a dia. A gente tem que combater o bullying, a homofobia. E depois de uma situação dessa você chega à conclusão de que não estamos sendo capazes, ainda não chegamos ao que é ideal”, prosseguiu. “O sentimento que fica, além de tristeza, é de frustração.

Tarcísio também anunciou uma nova reunião entre as pastas de Segurança Pública e Educação.

Ao se manifestar sobre o caso, o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, disse que o Laboratório de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça foi acionado para auxiliar a Polícia de São Paulo a aprofundar as investigações.

Já o presidente Lula (PT) questionou o acesso a armas pelos jovens. “Não podemos normalizar armas acessíveis para jovens na nossa sociedade e tragédias como essas”, escreveu o petista nas redes sociais.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Os Brasis divididos pelo bolsonarismo vivem, pensam e se informam em universos paralelos. A vitória de Lula nos dá, finalmente, perspectivas de retomada da vida em um país minimamente normal. Essa reconstrução, porém, será difícil e demorada. E seu apoio, leitor, é ainda mais fundamental.

Portanto, se você é daqueles brasileiros que ainda valorizam e acreditam no bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo