Educação

Investigado, Weintraub agradece aos que o ajudaram a chegar “em segurança” nos EUA

O ex-ministro da Educação é alvo do inquérito das fake news e do que investiga possível crime de racismo contra a China

Créditos: Reprodução / Redes Sociais
Créditos: Reprodução / Redes Sociais

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, usou suas redes sociais nesta segunda-feira 22 para agradecer a todos os que o ajudaram a chegar em segurança nos Estados Unidos. “Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim”, escreveu.

Após ser demitido do Ministério da Educação na quinta-feira 18, Weintraub embarcou para Miami chegando lá na manhã do sábado 20.

O ex-ministro não teve que fazer quarentena antes de entrar no País, como prevê o decreto americano, provavelmente por ter feito uso do visto de ministro. Sua exoneração não tinha sido feita até a sua chegada, e foi publicada no Diário Oficial da União pouco depois da divulgação da informação de que ele havia chegado aos Estados Unidos.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Educação, a viagem de Weintraub já estava relacionada com o novo cargo que ele deve ocupar no Banco Mundial. Para cargos como esse, o visto apropriado é o chamado visto G.

Alvo de inquéritos

Abraham Weintraub se ausentou do País sendo investigado por dois inquéritos. Um deles é o inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e investiga fake news contra os ministros da Corte. Weintraub virou alvo da investigação após insultar ministros do STF na reunião ministerial de 22 de abril e ameaçá-los de prisão. “‘Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, disse.

Ele também é investigado por crime de racismo no inquérito que também tramita no STF, a pedido da procuradoria Geral da República, depois de ter afirmado em suas redes sociais que a China poderia se beneficiar, de propósito, da crise do coronavírus.

Parlamentares da oposição tentaram barrar a sua saída do País, dada a condição de investigado.

Na sexta-feira 19, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) protocou no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de apreensão do passaporte do ex-ministro, que é investigado em um inquérito da Corte. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) publicou em suas redes sociais que Weintraub deveria ser deportado para o Brasil e preso.

A indicação de Abraham Weintraub ao Banco Mundial, feita pelo governo, também rendeu críticas. Pelo menos 15 associações e mais de 130 personalidades assinaram uma carta rechaçando a indicação. O texto tem a assinatura das entidades Conectas Direitos Humanos, Instituto Urbem, US Network for Democracy in Brazil, Rede Brasileira pela Integração dos Povos, 342Artes, 342Amazônia, Associação Brasileira de ONGs (Abong), Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), Ecoa, International Rivers, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Socioambiental (Isa), Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e International Accountability Project.

O documento é direcionada a embaixadores dos países que estão encarregados de aprovar a nomeação de Weintraub ao grupo que o Brasil faz parte: Colômbia, Filipinas, Equador, República Dominicana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago.

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