Educação

Adolescentes brasileiros têm consumido mais álcool e drogas e usado menos a camisinha

De forma geral, o aumento foi maior entre as meninas do que entre os meninos, especialmente na escolas da rede pública, mostra o IBGE

Créditos: Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Nos últimos 10 anos, os adolescentes brasileiros consumiram mais álcool e drogas e também se colocaram mais em risco em relação à saúde sexual, já que caiu o uso de preservativo entre a população dos 13 aos 17 anos no País. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar do IBGE, divulgada nesta quarta-feira 13, que estabeleceu comparativos entre os anos de 2009 e 2019.

A experimentação de bebida alcoólica cresceu de 52,9% em 2012 para 63,2% em 2019. O consumo cresceu mais entre as meninas, que saíram de um índice de 55% em 2012 para 67,4% em 2019. Para os meninos, o indicador saltou de 50,4% em 2012 para 58,8% em 2019. A pesquisa informa que devido a mudanças na redação da pergunta, os dados de 2009 não foram comparados.

A experimentação ou uso de drogas também cresceu em dez anos, indo de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019. Novamente a exposição das meninas foi maior do que a dos meninos, que chegaram a apresentar uma redução na razão de chances de experimentar drogas ilícitas nas escolas privadas (-30,4%). O maior aumento das chances de experimentar drogas ilícitas se deu entre as meninas escolares da rede pública, que dobraram as chances de experimentação, atingindo 107,4% de variação no período.

Em relação à precocidade, ou seja a exposição ao álcool e às drogas antes de se completar 14 anos de idade, o percentual passou de 3,4% em 2009 para 5,8% em 2019. Identificou-se uma tendência de crescimento nas chances de exposição, com alta de 87,5% no período. Segundo a pesquisa, a tendência está decrescente para os meninos das escolas privadas e crescente para meninos de escolas públicas e meninas de ambas as redes, chegando a um aumento expressivo de 164,6% entre as meninas das escolas públicas em dez anos.

Já o consumo recente de drogas ilícitas, entre aqueles que haviam usado drogas alguma vez na vida, ficou estável entre 2012 (48,2%) e 2015 (46,4%), e caiu em 2019 (33,3%).

Vida sexual

O indicador de iniciação sexual, por sua vez, apresentou estabilidade ao longo dos anos, mas revela comportamentos diferenciado por sexo e rede de ensino. Para os meninos, a tendência é de queda, chegando a um decréscimo de 5,8% ao ano na chance de iniciação, acumulando no período uma variação de 45,2% para os meninos da rede pública. Já a chance de as meninas iniciarem a vida sexual na adolescência aumentou em torno de 4,0% a cada ano, com uma variação de cerca 41,0% no período 2009-2019 para as meninas de ambas as redes.

O percentual de estudantes do 9º ano das capitais que já tinham tido relações sexuais passou de 27,9% em 2009 para 28,5% em 2019. Ao longo da série histórica, os meninos têm uma maior taxa de iniciação sexual; contudo, a taxa de iniciação sexual das meninas entre 2009 e 2019 aumentou de 16,9% para 22,6%, enquanto a dos meninos caiu de 40,2% para 34,6%”.

O uso de preservativo na última relação, entre os estudantes que já tiveram relação sexual, mostrou uma tendência de queda, cuja chance de uso teve um decréscimo de 7,0% ao ano entre 2009 e 2019 e de 51,3% no acumulado em 10 anos.

Nas capitais, o percentual de estudantes que usaram camisinha na última relação sexual caiu de 72,5% para 59% de 2009 a 2019. Entre as meninas, foi de 69,1% para 53,5% e, entre os meninos, de 74,1% para 62,8%.

Autoimagem

Também chama a atenção na pesquisa o aumento da insatisfação dos adolescentes com a sua imagem corporal tanto em magreza quanto em excesso de peso.

Em 2009, 17,5% dos estudantes reclamava de ser gordo ou muito gordo, número que saltou para 23,2% em 2019. Já os que se consideravam magros ou muito magros eram 21,9% e passaram a 28,6%.

Entre os estudantes que se avaliaram como gordos e muito gordos, houve aumento disseminado entre escola pública e particulares e meninos e meninas, com mulheres (28,6%) e escola privada (25,5%) mantendo os maiores índices.

A quarta edição da pesquisa PeNSE, do IBGE, considerou estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, dos 13 aos 17 anos, de todo o País.

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