Economia

Queda da inflação é mais lenta que o esperado e temos de persistir, diz Campos Neto

A taxa básica de juros, fixada pelo BC em 13,75% ao ano, está no centro de críticas do governo Lula à condução da política monetária

Cédula de 200 reais
O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto. Foto: Raphael Ribeiro/BCB Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no lançamento da nova nota de R$ 200,00. Foto: Raphael Ribeiro/BCB
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, retomou nesta quarta-feira 19 seu discurso para justificar a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Segundo ele, a queda da inflação no País é mais lenta que o esperado.

Em março, o IPCA foi de 0,71%. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,65%, o mais baixo desde 2021.

“Olhamos muitas coisas e cruzamos muitos dados. Mas a realidade é que a queda da inflação é mais lenta do que esperávamos, considerando o patamar da taxa real de juros no Brasil”, sugeriu Campos Neto. “O que nos diz que a batalha não foi vencida e temos que persistir.”

As declarações foram concedidas durante uma conferência com investidores internacionais.

Segundo o presidente do BC, a inflação em queda ainda estaria “contaminada” por medidas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tomadas durante a eleição de 2022. Como exemplos, ele citou mudanças na tributação de gasolina e energia.

“Quando olhamos para o cerne da inflação, está levemente abaixo dos 8%, o que é muito alto”, alegou. “Quando falamos em expectativa, precisamos de 6 a 12 meses para amadurecer a tomada de decisão.”

Campos Neto ainda afirmou que a preocupação com o tema se repete em vários países e que o “ritmo muito lento” de queda da inflação é “um consenso entre vários bancos centrais”.

Após a apresentação da nova regra fiscal, o governo Lula espera uma redução da Selic no próximo encontro do Comitê de Política Monetária, em maio.

Em viagem à China, na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse entender que “tudo está convergindo para harmonizar o fiscal e o monetário” e que já há “sinais evidentes” de que chegou o momento para iniciar uma mudança na trajetória dos juros.

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