PIB retrai 1,5% no 1º trimestre já com impactos do coronavírus, diz IBGE

Principal indicador de retração foi queda de 1,6% no setor de serviços, que representa 74% do PIB brasileiro, analisa o órgão

(Foto: Guilherme Gandolfi)

(Foto: Guilherme Gandolfi)

Economia

A soma de todos os bens e serviços do Brasil, o PIB (Produto Interno Bruto), sofreu uma queda de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 em comparação com o último trimestre do ano anterior, afetado pela pandemia do novo coronavírus e as medidas de distanciamento social.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a economia recolheu 0,3%. Os valores foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira 29.

Segundo o órgão, em valores correntes, o PIB alcançou a cifra de R$ 1,803 trilhão. O principal indicador a puxar esse dado para baixo foi a retração de 1,6% no setor de serviços, que representa 74% do PIB brasileiro. A indústria também caiu (-1,4%), enquanto a agropecuária cresceu (0,6%).

“Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos. Bens duráveis, veículos, vestuário, salões de beleza, academia, alojamento, alimentação sofreram bastante com o isolamento social”, explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

O consumo das famílias percebeu a maior retração desde 2001, aponta Palis, o “maior recuo desde a crise de energia elétrica em 2001”, com um recuo de 2% em relação ao trimestre anterior. O consumo do governo ficou praticamente estável (0,2%) no primeiro trimestre deste ano, mesmo patamar do último trimestre de 2019.

Nos serviços, destaque para os resultados negativos em outros serviços (-4,6%), transporte, armazenagem e correio (-2,4%), informação e comunicação (-1,9%), comércio (-0,8%), administração, saúde e educação pública (-0,5%), intermediação financeira e seguros (-0,1%). A única variação positiva veio das atividades imobiliárias (0,4%).

Os resultados interrompem a sequência de quatro trimestres positivos, destaca o IBGE, e é o menor crescimento desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Com isso, o PIB está em patamar semelhante ao que se encontrava no segundo trimestre de 2012.

O cenário internacional também teve influência no resultado. A balança comercial brasileira teve uma queda de 0,9% nas exportações de bens e serviços, enquanto as importações neste mesmo setor cresceram 2,8%.

“As exportações foram bastante prejudicadas pela demanda internacional. Um dos países muito importantes para a gente que tem afetado nossas exportações é a Argentina. E a China também, que no primeiro trimestre foi o primeiro país a fechar as fronteiras. Então as nossas exportações foram bastante afetadas”, analisa Rebeca Palis.

*Com informações da Agência IBGE de Notícias

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem