Economia

“PIB cresce menos de 1%, resta saber se o País entrará em recessão”

Banco Central, bancos privados e até o Planalto admitem que as previsões foram otimistas demais. E agora?

A economia que já cambaleava desde o fim do ano, está ainda mais debilitada. É o que indica o Banco Central no mais recente relatório do Copom (Conselho de Política Monetária), divulgado nesta terça-feira 14.

Os analistas apontam uma interrupção no lento processo de ‘despiora’, e revisaram para baixo as expectativas de crescimento do PIB. São apontados como causa o desemprego — que chegou a 13,4 milhões — a indústria ociosa e o cenário de incerteza.

Segundo o comitê, a ‘economia brasileira sofreu diversos choques ao longo de 2018, que produziram impactos sobre a economia e aperto relevante das condições financeiras’.

“O cenário está montado para uma um crescimento mais baixo que 1%, agora é saber se entraremos em recessão ou não”, afirma o economista Guilherme Mello, professor da Unicamp e especialista em macroeconomia. Se as previsões para o quarto trimestre também forem de queda, afirma, as chances de encolhimento são enormes.

A ata do Copom destaca ainda que a inflação acumulada nos últimos doze meses deve subir a curto prazo, mas terminará ao ano ‘em torno da meta’ —  que é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. A taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 6,5% ao ano.

Os bancos privados também vem refazendo as contas. Na segunda 13, o Itaú também baixou as projeções de crescimento para a economia brasileira. Nos primeiros cálculos, a previsão era um PIB 1,3% maior até o fim do ano. Agora, é apenas 1%. O Bradesco também piorou o seu cenário macroeconômico e passou prever crescimento de 1,1%.

O que está por trás desses erros sucessivos de apostas, diz Mello, é a convicção de as que expectativas pontuais trazidas por medidas pró-mercado são suficientes para atrair investimentos. “Num cenário de economia em depressão, só as expectativas não resolvem”.

Entre dezembro de 2014 e dezembro de 2017 foram fechados 2,9 milhões de empregos com carteira

Recessão à vista?

Os analistas do BC, entretanto, ainda apostam em uma retomada nos próximos meses, condicionada à expectativa pela reforma da Previdência. Diz o relatório que a expectativa pela reforma pode ‘contrabalançar efeitos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica’, e diminuir os riscos de um novo 2018.

Sob esse novo cenário, o governo já admite um crescimento menor que 2% e estuda um contingenciamento extra de 10 bilhões de reais. Mello aponta duas saídas: reiniciar o processo de queda de juros, estabelecer uma nova meta de superávit primário e desvincular algumas despesas essenciais do teto de gastos.

 

Renda e crédito, diz o economista, despertariam expectativas mais sólidas entre os investidores. “Mas o Banco Central tem medo, e o Paulo Guedes não acredita na política fiscal como solução dos problemas. Então não há nada a fazer”, completa.

O custo político de uma economia ruim é grande, e deve impactar principalmente as eleições municipais. Que prefeito toparia se associar ao presidente nas eleições de 2020?

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