Economia

‘Ninguém espera que o governo vá fazer 0% de meta’, afirma Campos Neto

O presidente do BC expressou pouca fé no alcance de déficit zero em 2024, mas mostrou otimismo em relação à economia e indicou a possibilidade de um novo corte nos juros

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, expressou ceticismo quanto à possibilidade de o governo federal alcançar a meta fiscal de déficit zero. Ele fez essa avaliação

Segundo ele, não há uma conexão automática entre a não realização da meta de déficit zero e a redução das taxas de juros. Ele ressaltou, porém, que um regime fiscal desordenado poderia afetar as expectativas de inflação futura, o que influenciaria a definição da taxa Selic.

Apesar de serem baixas as expectativas sobre um déficit zero, Campos Neto enfatizou a importância de continuar monitorando a situação do regime fiscal para o futuro.

“Ninguém hoje espera que o governo vá fazer 0% de meta. (…) Agora, é importante ter uma visibilidade do futuro”, disse, ao comentar a situação econômica atual do Brasil em almoço com a Frente Parlamentar do Empreendedorismo, nesta terça-feira 5, em Brasília.

A meta zero em 2024 é uma das principais bandeira do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na prática, impõe um equilíbrio entre as receitas e despesas do governo. A necessidade de lidar com o déficit é um dos argumentos usados pelo governo para pedir ao Congresso a aprovação de projetos que aumentem a arrecadação de impostos.

O governo tinha a chance de pedir uma alteração na meta fiscal por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que define o orçamento do próximo ano e está sendo analisada pelo Legislativo. Contudo, influenciado por Haddad, o Planalto optou por manter a meta de déficit zero.

Por outro lado, o líder do governo do Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), tentou sugerir uma emenda que permitisse ao governo a fazer investimentos públicos além da meta, mas o relator da LDO, Danilo Forte (União-CE), rejeitou a proposta.

Em live com o presidente Lula (PT), nesta terça, Haddad disse esperar que o Banco Central siga com os cortes na taxa de juros, como tem feito desde agosto. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária se reunirá para determinar se continuará a política de redução da taxa Selic.

Na sua decisão mais recente, o Copom reduziu os juros em 0,5%, estabelecendo-os em 12,25%. Aos parlamentares presentes no almoço, Campos Neto sinalizou uma nova diminuição em 0,5%.

Durante o evento, o presidente do Banco Central também fez também um balanço positivo sobre o desempenho da economia brasileira em 2023 e afirmou ter se surpreendido positivamente. Ele elogiou a gestão da política monetária pela instituição e defendeu os projetos do governo que estão em andamento no Congresso.

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