Economia

cadastre-se e leia

As perspectivas para o acordo entre Mercosul e União Europeia, segundo secretária do MDIC

As negociaçõe se arrastam desde 1999. Para Tatiana Lacerda Prazeres, a discussão ‘não é trivial’

A secretária-executiva de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Lacerda Prazeres, em evento dos 30 anos de CartaCapital, em Brasília, em 14 de maio de 2024. Foto: Divulgação/CartaCapital
Apoie Siga-nos no

A secretária-executiva de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Lacerda Prazeres, afirmou que a negociação entre Mercosul e União Europeia por um acordo comercial “não é trivial” e que apenas termos equilibrados interessam ao Brasil.

A declaração foi concedida em entrevista à reportagem durante a primeira rodada de um ciclo de debates promovido por CartaCapital para celebrar seus 30 anos, em 14 de maio, em Brasília.

Mercosul e UE começaram a negociação em 1999. Em 2019, parte do acordo foi finalizada, mas, desde então, a revisão está travada.

Prazeres explicou que no início de 2023, ao herdar do governo de Jair Bolsonaro (PL) um pré-acordo, havia pontos relevantes em aberto e uma resistência da UE à agenda ambiental do Brasil até o fim de 2022. Com a posse de Lula (PT), também foi necessário analisar o que o novo governo entendia que precisaria ser ajustado.

Entre os temas que o governo brasileiro e o Mercosul avaliavam necessitar de ajustes estavam as compras governamentais – a costura anterior abriria para empresas europeias a concorrência nessas licitações.

“O governo brasileiro entende que compras governamentais são um instrumento importante de políticas públicas, inclusive no contexto da neoindustrialização”, ressalta a secretária.

Outros temas pendentes de solução envolviam preservar um amplo espaço para políticas públicas na saúde e reforçar a preocupação com as empresas de pequeno porte nas compras governamentais.

O processo segue em curso, não é trivial. A União Europeia passa neste momento por dificuldades políticas, um processo eleitoral, inclusive, no âmbito do Parlamento Europeu”, pondera Prazeres. “Seguimos convencidos de que um acordo equilibrado é possível, mas apenas um acordo equilibrado nos interessa.”

Em março, durante viagem ao Brasil, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o texto do acordo é “muito ruim” e propôs fazer “um novo”.

Ele se preocupa com a possibilidade de Argentina, Brasil e Uruguai inundarem a União Europeia com carne mais barata, o que poderia levar os agricultores franceses a retomarem os protestos. Por sua vez, o setor industrial alemão pressiona para que o acordo veja a luz do dia.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo