Economia

A Vale mentiu, acusam investidores dos EUA

Detentores de ações da companhia alegam que a empresa omitiu informações sobre a barragem rompida em Mariana três anos atrás

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman (Foto: ABr)
O presidente da Vale, Fabio Schvartsman (Foto: ABr)
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A Vale mentiu em relação à verdadeira situação da barragem do Fundão, da sua controlada Samarco, rompida há três anos em Mariana, reclamaram investidores estrangeiros detentores de American Depositary Receipts (ADRs), recibos de ações emitidos nos EUA para negociar papéis de empresas de fora do país na Bolsa de Nova York.

A empresa transcreveu a acusação nas suas demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2018, no capítulo sobre contingências relacionadas ao evento.

“Os processos judiciais alegam que a Vale S.A. fez declarações falsas e enganosas ou deixou de fazer divulgações sobre os riscos e perigos das operações da barragem de Fundão da Samarco e a adequação de programas e procedimentos relacionados”, consta no tópico referente a ações coletivas.

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Aqueles investidores questionaram também os relatórios de sustentabilidade, os planos de redução de riscos de acidentes e mesmo as declarações feitas às instituições financeiras, lê-se neste trecho: “Em 23 de março de 2017, o juiz proferiu decisão julgando extinta uma parte significativa dos pedidos contra a Vale S.A. e os réus indivíduos e determinando o prosseguimento da ação com relação a pedidos mais limitados. Os pedidos que não foram extintos se referem a certas declarações contidas nos relatórios de sustentabilidade da Vale S.A. em 2013 e 2014 sobre procedimentos, políticas e planos de mitigação de riscos e certas declarações feitas em uma conferência telefônica, em novembro de 2015, a respeito da responsabilidade da Vale S.A. pelo rompimento da barragem de Fundão”.

A crer nos investidores, a Vale mentiu em praticamente todas as suas manifestações relacionadas à situação da barragem de Fundão e transformou em peça de ficção as considerações auto-elogiosas feitas, por exemplo, nesta passagem do seu mais recente relatório de sustentabilidade, de 2017: “Maior mineradora das Américas e uma das maiores do mundo, a Vale tem seu propósito expresso na missão de, por meio da mineração, transformar recursos naturais em prosperidade e desenvolvimento sustentável. Isso significa trabalhar com o intuito de gerar retorno econômico para acionistas e, ao mesmo tempo, adotar boas práticas para proteção do meio ambiente e de atuação social”.

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Os investidores parecem só aceitar desculpas em dinheiro. No momento, tratam de organizar uma ação coletiva nos Estados Unidos contra a empresa brasileira.

Carlos Drummond

Carlos Drummond Editor de Economia da edição impressa de CartaCapital

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