Diversidade

Irlanda do Norte legaliza aborto e casamento entre LGBTs

Houve protestos contra e a favor da decisão na frente da sede do Parlamento norte-irlandês

Grupo pró-aborto  exibe grandes letras brancas formando a palavra
Grupo pró-aborto exibe grandes letras brancas formando a palavra "Descriminalizado" em frente ao Parlamento (Foto: PAUL FAITH / AFP)

O aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo foram legalizados nesta terça-feira 22 na Irlanda do Norte por decisão do Parlamento britânico, apesar de uma última tentativa simbólica da oposição, lançada por deputados da Assembleia regional norte-irlandesa.

Ao contrário do resto do Reino Unido, onde o aborto é autorizado desde 1967, na Irlanda é ilegal, exceto no caso da gravidez ameaçar a vida da mãe. O casamento entre pessoas do mesmo sexo também era proibido.

Sem Executivo regional desde 2017, por conta de um escândalo político-financeiro, os temas cotidianos da Irlanda do Norte são geridos de Londres.

Por conta desta situação, em julho passado, os deputados britânicos aprovaram emendas para estender à província o direito ao aborto e ao casamento homossexual se não se formasse um governo até 21 de outubro. Como isso não aconteceu, entraram em vigor a partir do primeiro minuto desta terça-feira (20h de segunda-feira em Brasília).

Os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo serão realizados “o mais tardar” durante “a Semana dos Namorados de 2020”, de acordo com o secretário de Estado da Irlanda do Norte, Julian Smith.

Hoje é “o dia em que nos despedimos das leis opressivas do aborto que controlaram nossos corpos e nos rejeitaram o direito de decidir”, comemorou no Twitter Grainne Teggart, encarregada desta campanha na Anistia Internacional na Irlanda do Norte.

Um dia “muito triste”

Grupo de ativistas contrários ao aborto criticavam a aprovação da medida e protestaram com cartazes em frente ao Parlamento: “Aborto? Não no meu nome” (Foto: PAUL FAITH / AFP)

Num ato simbólico contra a adoção dessas medidas, alguns deputados do parlamento regional norte-irlandês voltaram ao plenário na segunda-feira, pela primeira vez em dois anos e meio.

Entre os deputados presentes, a maioria pertencia ao Partido Unionista Democrático ultra-conservador (DUP), liderado pela ex-chefe do governo regional Arlene Foster, que se opõe a menor flexibilização dessas questões.

“É um dia triste”, declarou Foster à imprensa após uma curta sessão parlamentar.

“Sei que algumas pessoas vão querer comemorar hoje e digo a elas: ‘pense naqueles que estão tristes hoje e que acreditam ser uma afronta à dignidade e à vida humana'”, afirmou Foster.

Em frente o parlamento norte-irlandês, um grupo de ativistas contrárias ao aborto criticavam a aprovação da medida e exibiam cartazes onde podia-se ler: “Aborto? Não no meu nome”.

“Foi o governo de Westminster que impôs a legislação, não foi o governo que escolhemos aqui, então isso é antidemocrático e incorreto”, disse à AFP Bernadette Smyth, diretora do grupo Precious Life Northern Ireland.

Trevor Lunn, deputado da Aliança MLA, atribuiu aos deputados que foram ao Parlamento apenas “para tentar negar às mulheres e à comunidade LGTBQ os direitos que tem garantidos no resto do Reino Unido”.

Do lado de fora do Parlamento, também havia um grupo pró-aborto que exibia grandes letras brancas que formavam a palavra “Descriminalizado”.

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