Diálogos Capitais

Mudanças climáticas e reconstrução do Rio Grande do Sul: os destaques da abertura dos Diálogos Capitais

Participaram da abertura do evento, o ministro Alexandre Padilha; o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Márcio Elias Rosa; o vice-presidente da CNI, Jamal J. Bittar; e Manuela Carta, publisher de CartaCapital

Manuela Carta, Jamal Jorge Bittar e Alexandre Padilha durante a abertura do ciclos de debates 'Um projeto de Brasil'
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Restam apenas 6 anos para os países cumpram seus compromissos globais de preservar e restaurar a biodiversidade. Para além de reverter o sistema industrial para um modelo mais sustentável, governos ainda precisam lidar com os efeitos das mudanças climáticas, como as enchentes no Rio Grande do Sul, que afetaram ao menos 90% das cidades gaúchas.

Cientistas apontam que o rastro de destruição deixado no Sul do País são apenas uma parte dos extremos climáticos que podem atingir o Brasil ainda neste ano.

Diante desse cenário, se torna urgente transformações na matriz produtiva brasileira, com bases sustentáveis, visando o combate ao aprofundamento dos efeitos das mudanças climáticos, já presentes no mundo, ao mesmo tempo que projeta o crescimento da economia do País.

Buscando apontar caminhos para essa transformação da cadeia de produção e distribuição de produtos brasileiros, CartaCapital apresentou, nesta terça-feira 14, mais um ciclo de debates Diálogos Capitais, dedicado à discussão sobre um novo projeto para o País.

Estiveram presentes na mesa de abertura Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais da Presidência da República; Márcio Fernando Elias Rosa, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço; Jamal Jorge Bittar, vice-presidente da CNI; e Manuela Carta, publisher de CartaCapital.

Ao abrir a mesa de debates, Manuela Carta pontuou que o que está em jogo neste momento é a garantia de futuro das próximas gerações.

“São escolhas entre o lucro inconsequente e a garantia do futuro dos nossos filhos. É inviável prosseguir com um modelo de exploração dos recursos naturais que não leve em conta o dia de amanhã”, afirmou.

“Ao contrário do que dizem os negacionistas, crescer, gerar emprego e renda não é incompatível com a preservação da natureza. O desenvolvimento sustentável abre novas janelas de oportunidade, com o potencial de regenerar um modelo de crescimento que, sem uma significativa mudança de rota, tem os dias contados”, completou.

Para o ministro das Relações Institucionais, o Brasil poderá ser um dos protagonistas na agenda de transição energética e desenvolvimento sustentável. Mas, para isso, a agenda do governo federal precisará estar alinhada com o Congresso Nacional.

“De um lado, [precisamos] rejeitar qualquer proposta legislativa que agrida o meio ambiente, que aprofunde um certo modelo econômico e que leve um estado e outras regiões do País a uma tragédia como essa [no RS]. Ao mesmo tempo, [temos que] avançar na agenda legislativa que consolide a transição ecológica no Brasil”, ressaltou Padilha.

Ele ainda citou quatro projetos que fazem parte da agenda sustentável do governo federal. Os três primeiros já foram aprovados na Câmara e agora tramitam no Senado, são eles: a criação de um novo mercado regulado de carbono; o programa de apoio à transição energética; e o projeto combustível do futuro. Ainda tramita na Câmara o projeto que trata de bioinsumos.

O ministro afirmou que a previsão é de que todos essas propostas tenham tramitação concluída ainda no primeiro semestre deste ano.

Padilha também pontuou que o RS precisará ser reconstruídos sob outra perspectiva, trazendo um contraponto ao plano do governador Eduardo Leite (PSDB), que tem a intenção de elaborar um Plano Marshall para o estado.

“Não é reeditar um plano Marshall, não é reeditar um modelo de reconstrução pautado naquilo que a gente fez ao longo do século XX, que foi importante para o crescimento econômico do Brasil e do mundo, mas que hoje é insuficiente diante dos desafios das transições ecológicas e das mudanças climáticas”, disse.

Já o vice-presidente da CNI alertou para a importância de aprendermos com o cenário que se apresenta.

“Se não tirarmos uma lição desse desastre, acredito que estaremos pedindo um próximo desastre”, concluiu.

30 anos de CartaCapital

O evento desta terça-feira marca também as celebrações de 30 anos de CartaCapital, que se completam neste 2024. Mino Carta, fundador da publicação, tratou do tema em vídeo exibido na abertura.

“CartaCapital não se chama Carta por minha causa. Ela se chama Carta porque pretende ser uma carta dirigida aos leitores, uma revista realmente independente, que não se curvasse diante de ninguém e não cedesse da sua independência absoluta e irretocável”, destacou Mino.

“[Mostramos] que é possível praticar um jornalismo honesto verdadeiro e a favor do Brasil”, completou o fundador antes de se dizer ‘honrado’ e ‘pleno’ com os 30 anos da publicação.

 Mesas de debate

Ainda nesta terça-feira acontecem duas mesas de debates do evento.

A primeira foca a discussão nos desafios da reindustrialização do País com bases sustentáveis, seguindo a tendência mundial de renovação dos moldes industriais.

Nesta mesa estiveram presentes Guilherme Mello, secretário de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda; Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); Vagner Freitas, presidente do Conselho do Sesi; e, André Roncaglia, colunista, comentarista e doutor em economia.

Na segunda, os participantes discutem estratégias para fortalecer as exportações de produtos brasileiros.

Os debatedores são Décio Lima, presidente do Sebrae; Ana Paula Repezza, diretora de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil); Tatiana Lacerda Prazeres, secretária executiva de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; e, Marcelo Freixo, presidente da Embratur.

Todos os encontros acontecem em Brasília, no Auditório da CNI e são transmitidos pela página de CartaCapital no YouTube e canais parceiros.

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