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Os ecos do porão

por Ana Ferraz — publicado 05/10/2012 11h28, última modificação 05/10/2012 11h28
Audálio Dantas enfrenta seus demônios e refaz a saga de Vladimir Herzog
Audálio no velório de Herzog 001

Choram Marias e Clarices. No velório de Vlado, o jornalista começou a planejar o ato ecumênico que reuniria 8 mil cidadãos na Sé. Foto: Elvira Alegre

A sexta-feira 31 de outubro de 1975 foi um dia decisivo na vida de um jovem advogado formado pela Faculdade do Largo São Francisco. Aos 32 anos, Márcio José de Moraes passara até então incólume ao clima tenso dos tenebrosos dias da ditadura. Planejadamente desinformado, preferia manter cerimoniosa distância das cada vez mais frequentes notícias de tortura e morte cometidas nos porões por agentes a serviço do regime presidido pelo general Ernesto Geisel.
Naquela sexta, que neste mês completa 37 anos, a Catedral da Sé, marco histórico da cidade de São Paulo, seria palco de um ato ecumênico em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, Vlado, preso, torturado e morto nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do II Exército, em São Paulo. Diretor do Departamento de Jornalismo da TV Cultura, Vlado estava na mira das autoridades da repressão. Acusavam-no de embeber o noticiário em tintas comunistas.
A notícia mexeu com o jovem advogado. O medo, porém, levou-o a um refúgio que considerou seguro, uma pastelaria nos arredores da catedral. Se a polícia o abordasse, estava apenas comendo um pastel. Diante da multidão na praça (8 mil cidadãos), Moraes começava uma jornada de tomada de consciência do horror que havia ignorado. Três anos depois, em 1978, caberia a ele redigir o documento que ajudou a colocar fim ao estado ditatorial. Na qualidade de juiz substituto da 7ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, escreveu a sentença de 56 páginas que condenou a União pela prisão ilegal, tortura e morte de Vladimir Herzog.
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