Velha Guarda do Camisa Verde e Branco mostra a altivez do samba de SP

Recém-lançado, o álbum 'O Peso da Tradição' resgata a nobreza ainda pulsante nas escolas de samba paulistanas

A Velha Guarda do Camisa Verde e Branco (Foto: Ana Fuccia/Divulgação)

A Velha Guarda do Camisa Verde e Branco (Foto: Ana Fuccia/Divulgação)

Cultura

Lançamentos de registros fonográficos de velhas guardas devem ser sempre comemorados. São projetos de memória ligados a um dos principais polos de expressão cultural: as escolas de samba.

A Velha Guarda do Camisa Verde e Branco apresentou novo trabalho nos últimos dias de 2020. Além da relevância histórica, mostra uma batucada da mais alta patente formada na escola criada no berço do samba da capital paulista, a Barra Funda.

Os nobres sambistas do Camisa que gravaram no álbum O Peso da Tradição, é formada por Dadinho, Melão, Aldo Garcia, Ailton Mesquita e Paulo Henrique, além de Mário Luís, falecido em 2019. Cita-se que Mestre Dadinho é hoje uma das maiores referências vivas da história do samba de São Paulo.

Esse é o segundo álbum da Velha Guarda do Camisa – o primeiro saiu há uma década. São 13 sambas inéditos em 12 faixas, todas autorais do pessoal ligado à escola.

Há composições de Airton Santa Maria, sambista histórico da escola morto em 2016. Ele chegou a participar do processo inicial de produção do álbum, assim como Nelson Primo e Hailtinho, também falecidos e figuras consagradas da agremiação.

Relíquias

O trabalho tem a participação de Fabiana Cozza (ela é filha de um antigo puxador de samba-enredo do Camisa, Oswaldo dos Santos), Demônios da Garoa, Yvison Pessoa e Serginho Madureira. A direção musical e arranjos é do violonista Everson Pessoa e a produção executiva, Luana Pessoa. Produção fonográfica da Luart Produções.

“A importância desse registro é eternizar as obras de uma das velhas guardas mais respeitadas no cenário do samba. Obras inéditas que estavam na gaveta, mas que precisavam ser gravadas para dar continuidade ao trabalho que eles vêm fazendo como artistas independentes”, conta Everson Pessoa, que canta em uma das faixas do trabalho e gravou os instrumentos de cordas do projeto (violão 6 e 7 e cavaco). Hoje, ele integra o grupo Demônios da Garoa. O álbum é de samba para valer, tradicional, puro, “sem agrotóxico”. É fascinante ouvir esse ainda imenso acervo de música criado nas escolas fora do carnaval. São relíquias construídas no universo popular cultural existentes na vida urbana.

O repertório de álbum vai de samba sincopado, samba-canção, samba de terreiro até samba-exaltação e de resistência. “Conseguimos fazer um trabalho bem diversificado”, diz Everson.

Outros músicos participantes de O Peso da Tradição são: Fabinho César (percussão), Alex Souza (percussão e efeitos), Rick Batera (bateria), Allan Abadia (trombone), Victor Pessoa Bezerra (piano), Dulce Monteiro, Vagner Maciel, Kelly Silva e Felipe Custódio (coro). No caso específico do Camisa Verde e Branco, a memória do samba paulista se faz muito presente. Pela escola, em épocas diferentes, passaram ainda Dionísio Barbosa, Inocêncio Tobias (Mulata), Hélio Bagunça, Tio Mário (baluarte da escola morto em 2019), Talismã, Odair Menezes, entre muitos outros.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Compartilhar postagem