Cultura

Mulheres são destaque na Berlinale

O Brasil está representado por 12 filmes. Confira as principais informações sobre o festival

Tudo pronto para a Berlinale (Foto: AFP)
Tudo pronto para a Berlinale (Foto: AFP)
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Um filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig marca a abertura da 69ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim. O longa The Kindness of Strangers (a bondade entre estranhos, em tradução livre), uma coprodução entre a Dinamarca e o Canadá, conta a história de quatro pessoas em um inverno frio em Nova York.

Entre os atores estão Zoe Kazan, Tahar Rahim, Andrea Riseborough e Bill Nighy. Scherfig, que já levou o Urso de Prata em 2001, é uma das sete diretoras cujos filmes concorrem no festival este ano.

O diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, diz esperar uma maravilhosa noite de abertura. Segundo ele, a cineasta tem “sensibilidade para personagens, grandes emoções e humor sutil”. A Berlinale, como o festival é conhecido, transcorre de 7 a 17 de fevereiro na capital alemã.

A competição

Dezessete filmes concorrem em 2019 ao Urso de Ouro e ao Urso de Prata. Entre os concorrentes mais famosos estão obras do francês François Ozon, da espanhola  Isabel Coixet, da polonesa Agnieszka Holland e do chinês Zhang Yimou. Também os filmes de Wang Quan’an, da China, que ganhou o Urso de Ouro em 2017, e de Emin Alper, da Turquia, ambos críticos dos regimes em seus países, são aguardados com expectativa.

Participação brasileira

O Festival de Cinema de Berlim terá 12 filmes brasileiros, sendo um na mostra principal, mas fora de competição: Marighella, de Wagner Moura, com Seu Jorge, Adriana Esteves e Bruno Gagliasso entre os protagonistas. Trata-se de uma cinebiografia de Carlos Marighella, guerrilheiro brasileiro assassinado pela ditadura militar em 1969.

Já o curta-metragem Rise, de Bárbara Wagner e Benjamim de Burca, concorre na categoria Berlinale Shorts. A coprodução brasileira, canadense e americana foi rodada em Toronto, no Canadá e acompanha uma comunidade de jovens artistas em um ato de autoempoderamento através de música e poesia.

Os demais participantes brasileiros na Berlinale 2019 são:

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  • Divino Amor, de Gabriel Mascaro, em que Dira Paes faz o papel de uma evangélica cuja missão é reaproximar casais em crise. Trata-se de uma coprodução entre Brasil, Uruguai, Chile, Dinamarca, Noruega e Suécia.
  • Estou me guardando para quando o carnaval chegar, de Marcelo Gomes, sobre o trabalho duro dos habitantes de um polo têxtil para poderem pular carnaval.
  • Greta, de Armando Praça, em que Marco Nanini revisita a peça Greta Garbo, quem Diria, foi parar no Irajá.
  • Chão, de Camila Freitas, é um documentário sobre o MST.
  • Querência,de Helvécio Marins Jr., uma coprodução Brasil-Alemanha, sobre um vaqueiro que tenta reorganizar a vida após ter seu gado roubado.
  • A rosa azul de Novalis, de Gustavo Vinagre, é um docudrama sobre a luta de homem soropositivo para sobreviver.
  • Espero tua (re)volta, de Eliza Capai, sobre as ocupações estudantis em São Paulo, em 2015.
  • Breve história del Planeta Verde, de Santiago Loza, uma coprodução entre Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha. O filme sobre amizade incondicional enfoca a busca por um alienígena.
  • La arrancada, de Aldemar Matias, é uma coprodução com França e Cuba, sobre uma garota dividida entre permanecer na ilha ou seguir o irmão no exterior.
  • Ensaio, de Tamar Guimarães, coprodução entre Brasil e Dinamarca, em que uma jovem negra é convidada por uma fundação de arte para apresentar uma adaptação cênica de As memórias póstuma de Brás Cubas.

Moura apresenta Marighella em Berlim (Foto: Wikimedia)

Os alemães

Um dos destaques entre os cineastas alemães, que tradicionalmente têm forte representação na Berlinale, é Fatih Akin, que já recebeu vários prêmios em Berlim, Cannes e o Prêmio do Cinema Europeu. Akin apresenta Der goldene Handschuh (A luva de ouro, em tradução livre), a história de um feminicida em Hamburgo nos anos 1970. Na concorrência, estão ainda Angela Schanelec e Nora Fingscheidt, entre outros.

O júri

O júri principal será presidido pela atriz francesa Juliette Binoche. Nascida em Paris em 1964, Binoche ganhou um Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1997 por O paciente inglês, desempenho pelo qual também foi premiada em Berlim. Ao seu lado estarão ainda a atriz alemã Sandra Hüller, a atriz e produtora britânica Trudie Styler, o americano Justin Chang, crítico de cinema do Los Angeles Times, Rajendra Roy, curador do Museu de Arte Moderna de Nova York, e o diretor chileno Sebastián Lelio.

Estreias mundiais

O Festival de Cinema de Berlim terá diversas estreias alemãs, europeias e internacionais. A adaptação em duas partes da vida do poeta Bertolt Brecht, com direção de Heinrich Breloer, deve atrair atenção especial. Outros destaques são os documentários sobre o fotógrafo Peter Lindbergh, o ator Mario Adorf e a banda alemã de rock Die Toten Hosen. Merece atenção também o documentário americano Watergate – Or: How We Learned to Stop an Out of Control President, dirigido por Charles Ferguson.

Cinema Novo

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Este ano serão exibidos 39 filmes no Fórum Internacional do Cinema Novo, ou simplesmente “Forum”. Esta categoria da Berlinale acolhe tradicionalmente “filmes que arriscam, mostram uma atitude e não aceitam compromissos”, ou seja, um cinema político e socialmente empenhado que, por vezes, assume formas cinematográficas não convencionais.

O lema do Forum este ano poderia ser “literatura”, porque muitos filmes são baseados em formas escritas, cartas ou poemas, como o austríaco Die Kinder der Toten (em tradução livre, os filhos dos mortos), inspirado no livro de mesmo nome da Nobel de Literatura Elfriede Jelinek. Outro destaque no Forum é o filme do Lesoto em preto e branco Mother, I Am Suffocating. This is my last Film About You (Mãe, estou sufocando. Este é o meu último filme sobre você).

Binoche preside o júri (Foto: John MacDougall/AFP)

Panorama

Outra seção especial da Berlinale é a mostra Panorama, a segunda mais importante do festival, que vai apresentar 45 filmes de 38 países. De acordo com o festival, Panorama oferece em 2019 um programa “controverso, político e desafiador” no qual “com um número impressionante de filmes, as pessoas tentam deixar para trás sistemas influenciados pelo exterior e opressão”. Também no Panorama deste ano serão  exibidos muitos filmes feitos por mulheres e sobre mulheres. Um destaque especial são retratos de artistas mulheres de todas as partes do mundo.

Retrospectiva

Da mesma forma, a grande mostra cinematográfica histórica que integra a Berlinale a cada ano e atrai espectadores de todo o mundo, em 2019 também será dedicada às mulheres diretoras. “Autodeterminação. Perspectivas das cineastas” é o nome da mostra com 26 longas e documentários feitos nos dois Estados alemães de 1968 a 1999. O Novo Cinema Alemão não teve apenas grandes diretores, como Rainer Werner Fassbinder, mas também mulheres, como May Spils e Ula Stöckl.

Premiação

Os Ursos de Ouro e de Prata serão entregues no sábado, dia 16 de fevereiro. No ano passado, o prêmio principal ficou com “Touch me not”, da romena Adina Pintilie, de 38 anos. Os Ursos de Prata distinguem atores e diretores. E há ainda os prêmios honoríficos: este ano, a atriz britânica de cinema e teatro Charlotte Rampling, que ficou famosa com obras como O porteiro da noite (1974) e 45 anos (2015), recebe o Urso Honorário de Ouro.

O prêmio honorífico Berlinale Kamera será dado à cineasta belga Agnès Varda, de 90 anos, pioneira da Nouvelle Vague.

Dieter Kosslick

Após quase duas décadas, chega ao fim a era de Dieter Kosslick na direção do festival. Nascido em 1948 em Pforzheim, no sudoeste da Alemanha, Kosslick começou nessa função em 2001 e deixou sua marca no festival. Seus maiores méritos no cargo são o fortalecimento do filme alemão na Berlinale e a diversidade da programação. Nos últimos anos, no entanto, Kosslick tem sido frequentemente criticado pela falta de qualidade artística da competição.

Deutsche Welle

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