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Em "O Silêncio do Céu", relato acurado de um homem fraco

por Orlando Margarido — publicado 29/09/2016 04h54
Thriller psicológico de Marco Dutra contorna as expectativas
Pedro Luque
O Silêncio do Ceu

Atender às expectativas é tudo o que cinema dos bons não faz

Pelo menos três frentes notabilizam O Silêncio do Céu, uma coprodução do jovem diretor Marco Dutra com a Argentina, em língua espanhola. A primeira, mais persuasiva ao público, é tratar-se de thriller que cumprirá muito bem as regras do gênero.

Há fato impactante a detonar a trama e suas decorrências são instigantes. Mas Dutra não é realizador a se contentar com a mera mecânica desse cinema, como se viu em Trabalhar Cansa, em parceria com Juliana Rojas, ou em Quando Eu Era Vivo. Acrescenta a complexidade pela via psicológica e filma de modo seguro e maduro.

Não fosse assim, poderia soar implausível a situação em que Mario (Leonardo Sbaraglia, foto) testemunha, ao chegar em casa, o estupro da mulher (Carolina Dieckmann, foto) por dois homens. Incógnito, não reage. Ou melhor, demora demais. As razões ele mesmo explica em narração.

É um tipo de muitas fobias e o medo o paralisou. Seria talvez um covarde. Mas o comportamento humano exige análise mais acurada, sabemos. Também por isso Diana esconde a violência de todos e o marido, roteirista de profissão, arma uma caçada solitária aos violadores.

Busca vingança, mas também se justificar. Virão revelações e atender às expectativas é tudo o que cinema dos bons não faz.

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