André Abujamra: “A pandemia só veio mostrar a precariedade da cultura”

Músico aproveita isolamento para “produzir muito”, inclusive novo álbum

O cantor André Abujamra. Foto: Mustafa Seven/Divulgação

O cantor André Abujamra. Foto: Mustafa Seven/Divulgação

Cultura

André Abujamra conta ter perdido noites de sono com o desgoverno e o tamanho da tragédia por conta da pandemia do novo coronavírus. “Por outro lado, minha cabeça criativa está a mil”, diz.

O cantor, compositor, multi-instrumentista e ator de 55 anos já vinha usando com frequência o home estúdio, mas por se considerar do grupo de risco, tem ficado ainda mais “enfurnado no trabalho, produzindo muito”.

 

Abujamra lançou EPs com novas versões de músicas suas. Atualmente, trabalha na trilha sonora do novo filme de Arnaldo Jabur, produz álbum onde canta canções de outros autores e realiza novo trabalho solo, o sexto, que é uma continuidade do projeto Omindá (uma evocação à água e lançado em 2018) chamado Emidonã, “o fogo que transforma”.

Emidonã é um registro com composições suas e algumas parcerias com convidados. “Mais que um álbum, o projeto está tomando o rumo de um produto audiovisual. Estamos planejando o lançamento para o fim deste ano.”

A carreira de André Abujamra sempre foi de muitas coisas. “Como dizia meu pai (Antônio Abujamra) ‘um artista não se faz de um disco, mas de uma vida’”. Ele começou com a banda Os Mulheres Negras, depois vieram outros projetos, como do Karnak, Fat Marley, Gork e Turk.

Em julho último, lançou com John Ulhoa o álbum com o esquisito nome de AbcyÇwÖk. “Eu o John colocamos nossas pirações musicais sem freios”.

John Ulhoa é integrante do Pato Fu e Abujamra produziu o álbum da banda de 1996. “Em 2005, nós começamos a fazer algumas músicas juntos que ficaram esquecidas no HD. Quando começou a pandemia da covid, achamos que era o momento para reativar aquele projeto. Fizemos mais algumas músicas e batizamos de AbcyÇwÖk”.

Calamidade

Nesse momento de pandemia, diz que “preocupa a mediocridade tomando conta de uma área (cultura) tão importante para qualquer país do mundo”. E acrescenta: “Não viemos parar nessa calamidade de uma hora para a outra. Esse processo de destruição da cultura e da ciência brasileira começou com o golpe de 2016. Ali se manifestou a besta da ignorância”.

Segundo o músico, “com o barco afundando, muita gente tenta disfarçar e cair fora como se não tivesse culpa pelo caos que o Brasil se encontra”.

Para ele, “a pandemia só veio mostrar a precariedade de todo setor cultural. Somos um País muito rico e desigual. Isso não pode continuar assim”.

André Abujamra também tem feito muitas lives e bate-papos nas redes sociais. O artista acha irreversível as lives, mas faz ressalvas: “Não rola o olho o olho, as palmas, as piadas, o calor de uma apresentação. Então é uma sensação estranha, mas tenho me acostumado mais com essa situação. Tem que ter consciência que um dia isso tudo vai passar e os shows voltarão a acontecer melhor do que antes”.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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