Cultura

Amy Winehouse morreu de bulimia, diz irmão

por The Observer — publicado 27/06/2013 08h10, última modificação 27/06/2013 14h23
Bebidas e drogas tiveram um preço, mas o transtorno alimentar a enfraqueceu de forma fatal

Por Elizabeth Day

Amy Winehouse, cuja vida foi marcada pelo abuso de drogas e álcool, foi morta por um transtorno alimentar, e não por seus vícios, segundo seu irmão.

Em sua primeira entrevista extensa, Alex Winehouse, de 33 anos, o irmão mais velho da cantora, disse à Observer Magazine que a longa batalha de sua irmã com a bulimia "a deixou mais fraca e mais suscetível". Ele acrescentou: "Ela teria morrido afinal, do jeito que ia, mas o que realmente a matou foi a bulimia".

Winehouse, que ganhou cinco prêmios Grammy por seu segundo álbum, Back to Black, morreu em julho de 2011 aos 27 anos.

O inquérito registrou um verdadeiro infortúnio, ao descobrir que ela tinha 416mg de álcool por decilitro de sangue – mais que cinco vezes o limite legal para dirigir carros e o suficiente para deixá-la em coma e deprimir seu aparelho respiratório.

Segundo seu irmão, que falou na abertura de uma exposição dedicada à vida de Amy no Museu Judaico em Camden, na zona norte de Londres, seu sistema estava fatalmente enfraquecido por anos de bulimia, doença na qual surtos de excesso alimentar são seguidos por depressão e vômitos autoinduzidos. "Se ela não tivesse um transtorno alimentar, estaria fisicamente mais forte", disse ele.

Alex Winehouse revelou que Amy tinha desenvolvido bulimia no final da adolescência e nunca se livrara do problema. Ele explicou que aos 17 anos a irmã tinha um grupo de amigas "que faziam isso. Colocavam montes de molhos na comida, engoliam tudo e vomitavam. Elas pararam de fazê-lo, mas Amy nunca parou realmente. Todos sabíamos o que ela fazia, mas é quase impossível [enfrentar], especialmente quando não se fala a respeito".

Segundo a entidade Beat, a maior instituição de transtornos alimentares do mundo, há escassez de dados sobre quantas pessoas no Reino Unido sofrem esse transtorno. Embora o Departamento de Saúde forneça estatísticas hospitalares episódicas, estas só incluem os afetados por transtornos alimentares que são tratados como pacientes do Sistema Nacional de Saúde. Em consequência, os números omitem todos os que não se apresentaram, não foram diagnosticados, recebem tratamento privado ou são tratados em clínicas-dia ou na comunidade.

O Instituto Nacional para Excelência em Saúde e Tratamentos (Nice na sigla em inglês) sugere que 1,6 milhão de pessoas no Reino Unido são afetadas por transtornos alimentares, 11% das quais são homens. Uma pesquisa mais recente do NHS, porém, sugeriu que até 6,4% dos adultos, potencialmente 3,2 milhões de pessoas, têm indícios de transtorno alimentar.

Estima-se que 40% destes sejam bulímicos. A bulimia é associada a graves complicações médicas. A anorexia tem o maior índice de mortalidade entre todos os transtornos psiquiátricos. Segundo pesquisa, 20% dos pacientes de anorexia morrem prematuramente.

Depois da morte de Winehouse, sua família criou uma fundação em seu nome para conter o uso abusivo de drogas e álcool por jovens. A Fundação Amy Winehouse é dirigida por Alex e seu pai, Mitch, um cantor e ex-motorista de táxi.

A instituição doou recentemente dinheiro à Beat para que continue mantendo um fórum na internet com um moderador dedicado.

Alex Winehouse disse: "Tínhamos de apoiar instituições que tratam transtornos alimentares porque ninguém fala sobre isso. A situação no país é esta: cerca de cinco ou seis anos atrás, havia de dez a 15 instituições para tratar esse transtorno. Hoje há apenas três, uma das quais é só para rapazes.

"A Beat precisava muito de um fórum... de modo que haja sempre alguém lá para conversar. Quero aumentar a conscientização sobre a bulimia. É realmente um tema muito obscuro."