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Redes sociais: extrema-direita celebra vitória de Milei na Argentina, mas se cala sobre escândalo de joias no Brasil

Os perfis de Eduardo Bolsonaro nas redes são retratos da postura omissa da extrema-direita no debate político nacional

Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) (Foto: Lula Marques)
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Os perfis do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nas redes sociais são retratos de como a extrema-direita está agindo diante de um escândalo que atinge em cheio o bolsonarismo no Brasil, o caso das joias. A opção, como se vê nas recentes publicações do parlamentar, é pelo silêncio absoluto no tema. O espaço, porém, não fica vazio, e é preenchido por celebrações da vitória de Javier Milei, nas primárias da Argentina.

“Um ano atrás era um sonho, daí virou meta e hoje é realidade. Um excelente começo para o que pode ser a mudança real que a Argentina precisa”, escreveu Eduardo Bolsonaro na noite de domingo, após a confirmação do resultado do pleito argentino. “Com vizinhos livres do socialismo o Brasil tem um ambiente mais favorável retomar o caminho da liberdade”, avalia em seguida.

A publicação, como mencionado, foi feita após um final de semana de silêncio sobre o escândalo no centro da sua família. Auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do deputado, foram alvos de operação da PF que investiga o uso da estrutura do Estado para enriquecimento ilícito. Na prática, militares diretamente ligados ao ex-capitão vendiam joias e presentes luxuosos recebidos por Bolsonaro durante o mandato. Há suspeita de repasses ’em cash’ para o ex-presidente. O sigilo dele e da esposa foram quebrados.

A omissão sobre o tema das joias, importante registrar, não é exclusiva ao perfil de Eduardo. Flávio Bolsonaro, senador e também filho do ex-presidente, também optou por se calar. Ele, diferentemente do irmão, ainda não fez postagens sobre Milei e se mantém mais recluso nas redes. Carlos Bolsonaro foi o único do clã a ir mais abertamente para o confronto digital. Em publicação, defendeu o pai no escândalo.

Fora do círculo mais íntimo do ex-presidente, mas também membro da extrema-direita nacional, o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR) foi outro político a ‘seguir a ordem’ do clã e ‘ignorar’ o assunto em debate no Brasil. Repetindo Eduardo Bolsonaro, o espaço sem publicações sobre o antigo chefe foi ocupado por felicitações ao ultradireitista Javier Milei.

“Os resultados das primárias das eleições argentinas, com o peronismo em terceiro lugar, indicam que a esquerda populista está com os dias contados na Argentina”, escreveu Moro, que segue sem mencionar as operações sobre as joias.

No final de semana, um levantamento feito pelo jornal O Globo já dava conta da situação e apontava que o bolsonarismo abandonou as trincheiras nas redes sociais na recente suspeita de corrupção do ex-capitão e aliados. Os números indicam que, neste momento, Bolsonaro recebe menos da metade de menções de apoio quando comparado ao engajamento que tinha no seu retorno dos EUA.

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