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Leite repassou a Doria pedido do governo Bolsonaro para atrasar início da vacinação

O ministro Luiz Eduardo Ramos recorreu ao governador gaúcho para tentar evitar a aplicação da 1ª dose em 17 de janeiro

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Foto: Itamar Aguiar/ Palácio Piratini
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB). Foto: Itamar Aguiar/ Palácio Piratini

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), admitiu nesta quarta-feira 17 que ligou para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a pedido do ministro Luiz Eduardo Ramos (então na Secretaria de Governo), em janeiro deste ano. Em pauta, a tentativa de evitar que o paulista iniciasse por conta própria a vacinação contra a Covid-19.

Ramos, por meio de Leite, queria que Doria adiasse a aplicação da 1ª dose, a fim de alinhar a campanha em São Paulo ao plano nacional. O atraso não se concretizou e o governo paulista promoveu uma cerimônia em 17 de janeiro para celebrar o início da vacinação.

“Houve uma conversa [com Doria] nessa direção, não foi um pedido de intervenção, mas um pedido de reflexão. Talvez tivesse sido positivo ao País que se fizesse um esforço de coordenação e engajamento, já que era uma questão nacional”, disse Leite ao jornal Folha de S.Paulo. “Mas é um episódio superado.”

Após a publicação da entrevista, a equipe do governador gaúcho divulgou uma nota em que afirma que a conversa com Doria tinha como centro a “coordenação nacional de vacinação”.

“Leite ligou para Doria para debater como os dois conduziriam esta questão. Privilegiariam a coordenação nacional num momento em que o governo federal assumira o compromisso de vacinar, ou trabalhariam sem ela? Doria rechaçou a coordenação nacional e disse que iria conquistar, a qualquer custo, a aplicação da 1ª vacina. Leite questionou se isso seria seguro para a população – valia a pena sacrificar a ideia da coordenação nacional? Doria respondeu: ‘Eu vou aplicar a 1ª vacina, custe o que custar.’ Leite, então, desistiu de continuar a conversa”.

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