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Bretas é acusado de parcialidade em investigações da Lava Jato no Rio

Bretas é acusado de parcialidade em investigações da Lava Jato no Rio

Juiz Marcelo Bretas - Fernando Frazão/Agência Brasil

Juiz Marcelo Bretas - Fernando Frazão/Agência Brasil

O juiz Marcelo Bretas, responsável pela condução dos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro é acusado de atuar de forma imparcial e ilegal nas investigações, acusações e condenações da operação. A acusação é feita pelo advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho, que atuava na vara comandada por Bretas, mas topou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) após ser alvo de uma operação de investigação da Polícia Federal. As informações foram reveladas pela revista Veja nesta sexta-feira 4.

 

 

 

Em suas acusações contra o juiz, reunidas em anexos do acordo de colaboração, o advogado narra alguns episódios que incriminariam Bretas, como a intermediação de um acordo informal com o ex-governador Sérgio Cabral, réu em  processos da operação por corrupção – para poupar a ex-primeira dama Adriana Ancelmo. Em seu relato, o próprio Nythalmar afirma ter procurado Bretas sobre o caso, a pedido do filho de Cabral, e conseguido efetivar a proposta com o juiz e o então chefe da Lava Jato no Estado, Eduardo El Hage.

A operação deu orientações para que Cabral e a ex-primeira-dama redigissem uma carta de próprio punho “abrindo mão de todo o patrimônio”. Segundo Nythalmar, para dissimular a combinação, o MP recorreu da decisão – tudo acertado entre as partes. Preso em Bangu 8, Sérgio Cabral passou a confessar seus crimes a Bretas em junho de 2018. Em agosto do mesmo ano, o magistrado revogou a prisão domiciliar de Adriana Ancelmo e autorizou que ela respondesse às acusações em liberdade. O delator informou que tem guardada uma gravação que “demonstra a participação, ciência e aquiescência de acordo similar” ao do ex-governador.

Em outro anexo da delação, Nythalmar acusa acusa Bretas de ter atuado deliberadamente para influenciar o resultado das eleições no Rio de Janeiro, em 2018, que alçaram Witzel ao Palácio Guanabara. O seu adversário político era o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Às vésperas do primeiro turno da disputa, o juiz teria vazado o depoimento de um ex-assessor de Paes, então líder nas pesquisas de intenção de voto, acusando o candidato de envolvimento em fraude de licitações e recebimento de propina. O delator informou ter ouvido do próprio Bretas a revelação de que ele nutria antipatia pelo ex-­prefeito e que “foi importante que a população fluminense soubesse quem era Eduardo Paes antes da eleição”.

Ainda de acordo com o delator, no segundo turno das eleições, após sair vencedor das eleições Witzel nomeou Marcilene Cristina Bretas, a irmã do juiz, para um cargo na Controladoria-Geral do Estado.

À reportagem, o juiz Marcelo Bretas disse que desconhece o teor da delação do advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho e negou que haja irregularidades no trabalho da 7ª Vara. Aprovado pela Procuradoria-Geral da República, o acordo de delação do advogado ainda precisa ser homologado pela Justiça.

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