Mensagens homofóbicas e misóginas no Telegram derrubam governador de Porto Rico

Ricardo Rossello fez piadas misóginas e comentários homofóbicos, principalmente sobre o famoso cantor Ricky Martin

Mensagens homofóbicas e misóginas no Telegram derrubam governador de Porto Rico

CartaCapital,Mundo,Política

O governador porto-riquenho Ricardo Rossello anunciou, nesta quarta-feira 24,  sua renúncia quase duas semanas após a revelação de uma polêmica conversa sobre mulheres e homossexuais que levou a protestos em massa naquele território caribenho-americano.

“Estou anunciando que vou renunciar ao cargo de governador a partir de sexta-feira, 2 de agosto, às 17:00 h”, disse Rossello, 40, em uma transmissão de vídeo pelo Facebook.

No final da transmissão de vídeo, centenas de manifestantes nas ruas de San Juan, em frente à residência do governador, exultaram de alegria e gritaram “Olé, olé, olé”.

Protestos na ilha caribenha Foto: Joe Raedle/AFP

Os protestos começaram na ilha caribenha em 13 de julho, quando o Centro de Informações Investigativas de Porto Rico revelou 889 páginas de conversas entre o governador e 11 funcionários locais, antigos e novos, em mensagens enviadas pelo Telegram.

Esses homens trocaram piadas misóginas e comentários homofóbicos, principalmente sobre o famoso cantor Ricky Martin, também porto-riquenho. Eles também fazem comentários controversos sobre jornalistas e funcionários públicos.

Furacão, corrupção e peculato

Em uma das mensagens polêmicas, um colega de Rossello brinca sobre as vítimas do furacão Maria, em 2017, que matou quase 3.000 pessoas.

“Espero que Porto Rico continue unido e siga em frente como sempre fez”, disse Ricardo Rossello em seu post no Facebook. “E espero que esta decisão seja um apelo à reconciliação dos cidadãos”, acrescentou o governador, cuja administração também é acusada de corrupção e peculato.

“Ele não podia mais sair de casa, não podia ir a lugar algum por causa desse caso. Foi muito difícil governar. Ele começou a perder a confiança de seu próprio partido e também do Congresso americano, a situação não lhe permitia mais governar”, disse à RFI Antonio Sagardia, ex-secretário da Justiça.

Uma ex-colônia espanhola que se tornou um território americano com um status especial como “Estado Livre Associado”, Porto Rico, lutando para se recuperar do furacão Maria, é abalada por um escândalo de corrupção. Seis autoridades locais são acusadas de desviar US$ 15 milhões em verbas federais para a reconstrução pós-furacão.

A ilha declarou em maio de 2017 o maior processo de falência já lançado por uma entidade local nos Estados Unidos. Cerca de 44% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Ricky Martin, a estrela da ilha

Rossello, que disse na terça-feira (23) que não planejava deixar o cargo, disse que a secretária de Justiça, Wanda Vazquez, assumirá temporariamente o cargo.

Várias celebridades, incluindo Ricky Martin, o rapper Bad Bunny ou o duo de “Despacito”, Daddy Yankee e Luis Fonsi, participaram do movimento de protesto ou o apoiaram.

Muitos porto-riquenhos esperaram ansiosamente por essa notícia durante todo o dia, enquanto circulavam rumores sobre a iminente renúncia do governador.

O presidente da Câmara, Johnny Mendez, advertiu à tarde em uma entrevista coletiva que, se o governador não renunciasse, um processo de impeachment seria conduzido contra ele. Ele informou que uma comissão de juristas criada por ele concluiu que havia motivos para ser processado contra o governador.

Seu relatório, divulgado pela Telemundo, identificou cinco possíveis crimes na conversa do Telegram, incluindo a apropriação indébita de fundos públicos.

O Ministério da Justiça disse na terça-feira que mandados de busca foram emitidos contra o governador e as outras 11 pessoas envolvidas.

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Rádio pública francesa que produz conteúdo em 18 línguas, inclusive português. Fundada em 1931, em Paris.

Compartilhar postagem