Médico da Petrobras recomenda ivermectina e azitromicina a funcionários com Covid

Receita de médico da petroleira contém medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus; Petrobras nega orientação corporativa

Sede da estatal Petrobras. Foto: Agência Brasil

Sede da estatal Petrobras. Foto: Agência Brasil

CartaCapital

O departamento médico da Petrobras recomendou medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 a funcionários contaminados.

 

 

O caso ocorreu em Macaé, no interior do Rio de Janeiro. Em uma receita fornecida pelo serviço médico da estatal na cidade, aparecem listados os remédios azitromicina e ivermectina. A Federação Única dos Petroleiros e o Sindipetro dizem ter recebido outros relatos nesse sentido. O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense levou o caso ao Cremerj.

A FUP contabilizou mais de 80 mortes por Covid-19 na Petrobras. Segundo a organização, em apenas 2 meses e 10 dias, mais que dobrou o número de trabalhadores efetivos mortos pela doença na empresa, com 45 óbitos registrados nesta semana iniciada em 14 de junho — a atualização representa alta de 125% em relação às mortes registradas na semana de 5 de abril. Em 4 de janeiro de 2021, a Petrobras registrava apenas 3 falecimentos.

A Federação aponta 7.205 contaminados na Petrobras, 15,5% do quadro de efetivos da companhia (46.416). De acordo com o Painel Dinâmico de Casos de Covid-19 da Agência Nacional de Petróleo, entre março de 2020 e 15 de junho de 2021, pelo menos 5.944 trabalhadores foram infectados, sendo que 4.242 tiveram acesso a plataformas de petróleo.

Apesar dos índices preocupantes, a Petrobras vem descumprindo medidas de redução dos riscos, avalizadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Fundação Oswaldo Cruz. Entre os procedimentos, estão a manutenção de embarque de, no máximo, 14 dias; a garantia de testagem na metade do período do embarque; e a adoção de máscaras de qualidade para todos os trabalhadores.

“Os números crescentes e assustadores de mortos e contaminados refletem o descaso da gestão da empresa com a saúde do trabalhador e a ineficiência da política de prevenção à Covid-19 nas instalações da Petrobras”, diz o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, em nota.

 

Receita médica publicada é citada em denúncia. Foto: Federação Única dos Petroleiros

 

Petrobras: prescrição é de responsabilidade do médico

Em nota, a Petrobras afirmou que “não há qualquer orientação corporativa quanto aos medicamentos a serem prescritos em caso de Covid-19, ou qualquer outra doença”. Segundo a estatal, a prescrição de medicamentos para qualquer enfermidade é de escolha e responsabilidade do profissional médico.

A empresa também diz que “empenha os esforços necessários para preservar a segurança e a saúde de todos” que “tem adotado medidas robustas de prevenção à Covid-19”, como fornecimento de diferentes tipos de máscaras, testagem antes de cada embarque e acompanhamento durante o embarque.

A companhia declara ainda que “os casos de contágio registrados seguem tendência semelhante às nacionais”.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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