Linn da Quebrada fala do 2° CD, construído com a identidade de mulher trans

Cantora, compositora e ativista lança em julho Trava Línguas, seu novo álbum, com elementos eletrônicos

Linn da Quebrada. Foto: Wallace Domingues/Divulgação

Linn da Quebrada. Foto: Wallace Domingues/Divulgação

CartaCapital,Cultura

Cantora, compositora, atriz, apresentadora e ativista trans, Linn da Quebrada já apresentou três faixas do novo álbum Trava Línguas, previsto de ser lançado em julho. O último single mostrado de seu segundo trabalho foi colocado nas plataformas de música há poucos dias e chama-se I Míssil.

Segundo Linn, I Míssil “é o lançamento dela mesma” no projeto musical prestes a chegar. Mate e Morra e Quem Soul Eu foram as outras duas já lançadas, no final do ano passado.

Em relação à primeira, a cantora diz “ser necessário entender o que é preciso matar em nós mesmas, para que seja possível haver vida”. O segundo single trata-se da continuidade de seu projeto de investigação de si: “Entendo que para ir em frente e enfrentar é preciso voltar atrás e entender de onde eu vim”.

 

 

Transformação

Neste seu segundo álbum, Linn da Quebrada retrata seu novo tempo na música.

“Pajubá (2018) foi outro momento. Vem também da linguagem Iorubá, que é construída através da expressão da comunidade LGBTIQ+, de resistência”, afirma. “Pajubá foi um caminho para construir minhas identidades. Quando me afasto de mim mesma, eu percebo minha transformação da bicha preta em essa travesti que eu me tornei. É com esse corpo que eu construo o Trava Línguas”.

O título tem vários significados, explica Linn. Trava é usada como diminutivo de travesti. “Tem a trava que abre mentes”. No seu significado mais conhecido, trava-línguas são frases difíceis de pronunciar pela existência de sílabas parecidas.

“O que procuro nesse álbum é a diferença da repetição. Trava Línguas é uma elaboração de rotas de fuga em relação a esse mercado da música”.

Linn da Quebrada explica que vinha trabalhando o novo álbum, com elementos eletrônicos, do tecno, com boa parte das letras já desenvolvidas. Mas veio a pandemia.

Quando se juntou para a produção do álbum com a DJ e produtora musical Badsista e a percussionista Dominique Vieira, viu que o mundo estava em outro momento e não pôde ignorar isso. Por causa da pandemia, o Trava Línguas acabou sendo diferente do que vinha experimentando nos últimos anos.

“Começo a me questionar o que eu preciso e o que gostaria de ouvir. Assim, Trava Línguas acabou ganhando outra forma. Ele está muito mais honesto comigo”.

A força do trabalho de Linn da Quebrada está na maneira como se manifesta verbalmente, uma mulher decididamente trans.

“Eu percebi que o que me une em todas as áreas de meu trabalho é a palavra. É da palavra que faço da minha carne, verbo. É na palavra que faço vírus e antídoto. A palavra tem muito poder. E a música tem essas possibilidades de seu uso”.

O Trava Línguas é um projeto de Linn da Quebrada viabilizado pelo programa Natura Musical. Com 11 faixas, o novo álbum da cantora promete propor nova linguagem e, ao mesmo tempo, ratificar o que foi dito no disco anterior, com ousadia e novos caminhos e sensações.

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Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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