Fechamento: o Brasil do insuficiente Bolsonaro diante do coronavírus

Não bastasse o caos, o presidente e Guedes ainda tentam fazer contrabandos neoliberais no pacote de medidas

Foto: Nelson Almeida/AFP

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CartaCapital

O mercado pediu colo, no Brasil e no mundo, e, em diferentes medidas, o Estado-babá será obrigado a limpar a bagunça. Na Europa, serviços públicos e empresas serão reestatizados e os governos estudam formas de garantir a sobrevivência dos cidadãos. Nos Estados Unidos, a administração Trump vai enviar cheques para os mais necessitados, ao mesmo tempo em que prepara um pacote de recompra de ações das companhias. Renitentes defensores das políticas de austeridade, mostra o professor Luiz Gonzaga Belluzzo em seu artigo, agora defendem abertamente a expansão dos gastos estatais para evitar que esta se transforme na pior crise desde a Grande Depressão dos anos 30 do século passado.

A edição desta semana de CartaCapital analisa o aprofundamento da crise econômica e humanitária causada pela proliferação do contágio do Covid-19. O governo Bolsonaro, descrevem André Barrocal e Carlos Drummond, mais uma vez destoa do resto do planeta. Forçado a abandonar o discurso de que tudo não passa de histeria, o ex-capitão e o ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentaram um plano, bastante tímido e insuficiente.

Não bastasse, a dupla ainda tenta fazer contrabandos neoliberais no pacote de medidas. Guedes defendeu a privatização da Eletrobrás e foi rechaçado pelo Congresso. Foi preciso que alguém o lembrasse de que este é o pior momento para vender qualquer coisa, dada a queda brutal dos preços dos ativos. Brasília também o corte em até 50% da jornada de trabalho e dos salários – medida que agrada certos patrões, mas teria efeito duvidoso, senão catastrófico sobre o conjunto da economia. Por causa da inoperância e do descaso do governo, as panelas cantaram de janelas. Resta saber se Bolsonaro irá ouvi-las.

Mas não só de coronavírus trata a edição. A repórter Thais Reis Oliveira recupera um assunto esquecido, a recente morte de Gustavo Bebbiano, ex-aliado de Bolsonaro. Teria ele algum grande segredo a revelar? Levou tudo para o túmulo? E Victor Calcagno traça o perfil da juíza Glória Lima, que pretende concorrer à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC. A magistrada segue a trilha do governador Wilson Witzel e sua candidatura permitirá descobrir se a fórmula “juiz durão chega para salvar a política” ainda funciona.

Por fim, confira as colunas de Delfim Netto, Pedro Serrano, Paulo Nogueira Batista Jr., Guilherme Boulos, Afonsinho e Riad Younes.

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