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'Downton Abbey' e o transcorrer da história britânica

por Nirlando Beirão publicado 12/01/2015 06h35, última modificação 11/06/2015 19h11
A luta de classes se instala na quinta temporada da série de Julian Fellowes que chega agora ao País
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Downton Abbey, em sua quinta temporada, estreia no Brasil no sábado 10, às 22h30, no canal GNT. Pode ser que o correto seja dizer: estreou. O aqui subscrito não viu (embora a season inglesa na ITV tenha começado em setembro). Confesso: não quis ver e já gostei. Há quem ache que o seriado de Julian Fellowes se engancha meramente no fascínio retrô da síndrome da idade de ouro, nostalgia escapista que transporta olhares plebeus para o cenário fictício de nobres enfatuados, prataria à mesa, mordomos de casaca, sinetas soando – espírito encarnado, com esgares de caricatura, por Lady Violet, Maggie Smith.

Na verdade, as aparências – por mais impositivas que possam ser, na tradição da nobiliarquia fundiária da Inglaterra – se diluem no painel difuso de uma realidade que insiste em desafiar as convenções postas condescendentemente à mesa. Downton Abbey é uma novela de tevê, mas fotografa com precisão o transcorrer às vezes impiedoso da história britânica.

A quinta temporada começa depois que senhores e vassalos pagaram juntos, com recíproca fidalguia de sangue derramado, o preço da guerra. O conflito de 1914 não discriminou ninguém. Mas em 1924 um primeiro-ministro trabalhista (a nobreza acusaria: socialista) chega ao poder. O pacto das pelicas brancas se desfaz e a luta de classes se instala. Downton Abbey não ficará imune.


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