Negro Belchior

por Gabriel Bonis publicado 12/08/2013 16h15, última modificação 25/10/2013 16h28

Periferias discutem formação territorial e sua importancia cultural política

04/07/2017 — Por Douglas Belchior

Quilombaque organiza encontro que faz parte da “UniDiversidade de Saberes”,construção de coletivos culturais das periferias da cidade de São Paulo. O encontro acontece quarta-feira, 05/07, às 19hem Perus – zona Noroeste. A UniDiversidade de Saberes organiza mais um escambo às 19h no dia 05 de Julho na Comunidade Cultural Quilombaque nobairro de Perus. A iniciativa faz parte de uma rede colaborativaformadapor coletividades, grupos artísticos e ativistas das periferias da cidade de São Paulo. Periferias são o espaço urbano geograficamente identificável, abrigo das classes trabalhadoras brasileiras, da maioria da população negra, indígenas urbanos e imigrantes e cujos traços culturais são entoados pela heterogeneidade resultante do encontro (nem sempre pacífico) desta convivência multicultural atravessada pela desigualdade social. Periferia, não por acaso, substantivo feminino no qual se inscreve a história corrente de inúmeras mulheres. Museu sem teto ou paredes, bolsões de expressões ancestrais, tradicionais e experimentações inovadoras, cuja geografia é território, marca identitária e também espaço de exclusão econômica, com excesso de polícia e ausência de políticas públicas que procurem agir na resolução das consequências de um processo histórico de brutalidades sociais, desigualdades e injusta distribuição de riquezas.As periferias da cidade de São Paulo, assim com outras periferias (ou subúrbios), tem os maiores […]

Na Flip, um Casarão para Ruth Guimarães

03/07/2017 — Por Douglas Belchior

  Ponto alto da homenagem do Instituto Silo Cultural é uma roda de conversa sobre a literatura da escritora, com presença de Lázaro Ramos   Por Silo Cultural   A escritora Ruth Guimarães, falecida em 2014, ocupou a cadeira número 22 da Academia Paulista de Letras. Produziu romances celebrados pela crítica, pesquisas folclóricas e traduções do francês e do latim. Foi aluna de Mário de Andrade e amiga de grandes escritores como Guimarães Rosa, Jorge Amado, Antonio Candido e muitos outros.A iniciativa da homenagem é do Instituto Silo Cultural, cuja sede receberá, durante a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, a denominação de “Casa Ruth Guimarães”. Os idealizadores do evento são Luís Perequê, compositor, cantor e produtor cultural nascido em Paraty, e a esposa, a coreógrafa Vanda Mota. O casal criou o Instituto Silo Cultural em 2001, e lá realiza atividades de resgate e de incentivo à preservação da cultura caiçara. Ambos tiveram acesso a um texto de Ruth Guimarães e a paixão foi instantânea. A “Casa Ruth Guimarães” será aberta no dia 27 de julho, com entrada livre. Na programação, além de exposição da coleção completa dos 45 livros publicados pela autora, serão exibidos vídeos e áudios, fotos […]

Contra o racismo da USP, negros e indígenas convocam Ato por cotas raciais na Av. Paulista

02/07/2017 — Por Douglas Belchior

Após apresentação de proposta biônica pela reitoria da USP, que nega cotas raciais para o vestibular de 2018, coletivos negros, estudantis e movimentos sociais convocam um grande Ato por Cotas Raciais para esta segunda-feira, 03 de julho, às 18h00 no MASP – Av. Paulista. Por Núcleo de Consciência Negra na USP O primeiro semestre dos últimos anos letivos na USP tem sido sistematicamente marcado pela luta por cotas raciais. Isso porque a USP segue, para orgulho ariano, como uma das poucas universidades públicas do país que não adotaram política de reserva de vagas para negras e negros. Neste ano o movimento negro, estudantil e indígena da USP, inspirados na grande greve e consequente vitória que levou a adoção de cotas raciais pela Unicamp, encamparam mais uma vez, a luta por cotas raciais na universidade. Duas foram as ações promovidas: O festival de música e artes na semana da reunião do Conselho de Graduação, espaço que discute questões pertinentes à graduação tais como a política de acesso, e a apresentação de uma proposta de Cotas Raciais para a USP, formulado pela Frente Pró-Cotas, composto pelo movimento negro de São Paulo e  atualizado pelos coletivos negros e pelo Núcleo de Consciência Negra […]

Contra o racismo da USP, negros convocam Ato por cotas raciais na Av. Paulista

02/07/2017 — Por Douglas Belchior

Após apresentação de proposta biônica pela reitoria da USP, que nega cotas raciais para o vestibular de 2018, coletivos negros, estudantis e movimentos sociais convocam um grande Ato por Cotas Raciais para esta segunda-feira, 03 de julho, às 18h00 no MASP – Av. Paulista. Por Núcleo de Consciência Negra na USP O primeiro semestre dos últimos anos letivos na USP tem sido sistematicamente marcado pela luta por cotas raciais. Isso porque a USP segue, para orgulho ariano, como uma das poucas universidades públicas do país que não adotaram política de reserva de vagas para negras e negros. Neste ano o movimento negro, estudantil e indígena da USP, inspirados na grande greve e consequente vitória que levou a adoção de cotas raciais pela Unicamp, encamparam mais uma vez, a luta por cotas raciais na universidade. Duas foram as ações promovidas: O festival de música e artes na semana da reunião do Conselho de Graduação, espaço que discute questões pertinentes à graduação tais como a política de acesso, e a apresentação de uma proposta de Cotas Raciais para a USP, formulado pela Frente Pró-Cotas, composto pelo movimento negro de São Paulo e  atualizado pelos coletivos negros e pelo Núcleo de Consciência Negra […]

A seletividade racista das punições na Unicamp

29/06/2017 — Por Douglas Belchior

    por Fábio Eduardo Matias de Siqueira – Du Kiddy*   Meu nome é Fábio Eduardo, conhecido como Du Kiddy, meu nome artístico. Sou músico, aluno do curso de graduação de licenciatura em música pela Unicamp, onde milito no Núcleo de Consciência Negra (NCN) e também faço parte do Centro Acadêmico do Instituto de Artes (CAIA), lugar onde eu estudo.  Venho através deste texto expor a situação que tenho vivido na Unicamp nos últimos meses: estou sendo processado disciplinarmente por minha participação política na greve histórica de 2016. No início do mês de Abril, sou através de um e-mail institucional que a UNICAMP tinha aberto um processo disciplinar contra mim no dia 21 de Dezembro de 2016. Me enquadrando no artigo 227 do regimento geral da universidade e nos incisos: I, III, IV, VIII. Estou sendo acusado de calúnia, insulto, perseguição, abuso, intimidação, coerção, violência verbal, depredação de patrimônio público, danos às instalações de pesquisa, agressão física, abuso de autoridade(?), desrespeito as normas de conduta, desrespeito a hierarquia. As punições previstas vão desde advertência até expulsão. As provas apresentadas na comissão disciplinar no processo movido contra mim são um vídeo feito por um professor no dia da mobilização que […]

A louca e a puta

26/06/2017 — Por Douglas Belchior

** POR LUARA COLPA* Ontem na festinha um cara ficou me olhando muito, desagradável. Fui dançar mais pra frente, ele seguiu.. comentou com os amigos e ficou fazendo aquela cara ridícula de sedução que os héteros fazem. Desprezei. Não passou 5 minutos apareceu a sua companheira. Como prevíamos. Ela o abraçou por trás e olhou pra mim. Como prevíamos. Fui pra mais longe ainda. Quando saí do banheiro ele estava lá com um canudo idiota na boca em câmera lenta me olhando. Olhei pra cima e a moça viu a cena. Peguei minhas coisas e fui embora. O resto da história: a moça vai ficar chateada com razão, vai brigar. O camarada vai dizer que não fez nada e que ela está louca. Vai argumentar que ‘não aguenta ciumera’ e que se for isso ele ‘sai fora’. Vai falar com soberba e desprezo com uma narrativa que a ponha em dúvida. Ela vai duvidar de si e me ver como inimiga. Talvez chore. Talvez só fique um pouco quieta. Vão se abraçar e transar/dormir. Se eu aparecer novamente numa outra festa, a moça vai ficar insegura.. e o ciclo de repete. Pra sociedade eu sou a puta Ela é a […]

“Vou doar uma rola branca” e “Por mim, morrem de fome”: ódio e racismo contra campanha da Uneafro

23/06/2017 — Por Douglas Belchior

  Campanha de financiamento coletivo para trabalho educacional do movimento Uneafro-Brasil, fez transbordar ódio e racismo em redes sociais, mas também provoca solidariedade e apoio. Organização promete denunciar agressores.   Por Douglas Belchior   Não faltaram manifestações de intolerância e ódio na reação de dezenas de internautas à campanha de financiamento coletivo  da Uneafro-Brasil, organização que se dedica à enfrentar o racismo através da educação popular nas periferias de São Paulo e do Brasil. Há poucos dias do fim da campanha, que segue até 28 de junho, uma coleção de pérolas do cancioneiro ultraconservador, racista, xenófobo, machista e sexista, próprio destes tempos de intolerância política, transbordaram nas redes sociais. “Entre o silêncio dos bons e o escândalo dos maus, esperamos que o exemplo de Luther King prevaleça”, diz Rosangela Martins, coordenadora do movimento.   “Mas a o solidariedade vai superar o ódio” Antes embrulhar o estômago dos leitores com a necessária exposição das manifestações de ódio e intolerância e seus autores, é preciso dizer: a solidariedade de centenas de apoiadores está superando a contra-campanha de grupos fascistas que, de maneira organizada, atacam a campanha da Uneafro. “Apesar das dificuldades, ultrapassamos os 70% do total a ser arrecadado”, diz Carol Fonseca, […]

“Com certeza sou mais um marginalizado”: uma conversa com o autor de Cartas estudantis

12/06/2017 — Por Douglas Belchior

  Por Thiago Colombo As Cartas Estudantis só têm essa proximidade com a política porque suas personagens estão implicadas no mundo social, trata-se de uma estudante e um “ex-estudante”. Agora, é inegável minha aproximação com a política, sou militante da Uneafro e comunista.     Por curiosidade e buscando interpretações sobre a realidade, fui atrás de novidades e livros que estão sendo lançados na atual conjuntura. A tarefa, que pareceria fácil, tornou-se difícil quando adotei a postura de vasculhar autores que não estão no mainstream literário – se é que existe isso num país onde quase metade da população, 44%, não lê e 30% nunca comprou um livro de acordo com a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Independente, porém, do grande mercado editorial, eu buscava livros cujo significante traduzisse a situação periclitante vivida no país e que estivessem afastados da leitura de conjuntura e das matrizes sociologizantes e economicistas. E depois de tanto flanar indo de livraria em livraria, e de sites de editoras pequenas e crítica de livros desconhecidos, encontrei o livro Cartas Estudantis. Li em algumas horas o pequeno livro e subitamente me veio a curiosidade de conhecer seu autor. O Google, que tudo pode e tudo […]

Nas periferias, o saber acadêmico, as vivências de artistas populares e ativistas sociais tem o mesmo peso

09/06/2017 — Por Douglas Belchior

  Por Negrume UNI DIVERSIDADE DE SABERES é um espaço de troca, vivências e práticas em torno da produção de conhecimento com foco em Território, Participação Social / Direitos Humanos, Economia e Comunicação Popular. Cada encontro da UniDiversidade é organizado em roda, de forma que saberes acadêmicos terão o mesmo peso que griots, militantes de movimentos sociais, pesquisadorxs independentes e artistas. A ideia é que cada encontro seja um escambo, troca entre diferentes saberes sobre um mesmo tema ou assunto. Os escambos acontecem todas as quartas-feiras com inicio às 19h, em 4 regiões periféricas da cidade. Próximos Encontros: 14/06/2017 | 19h | ZONA LESTE Tema: ECONOMIA: Racismo e a exclusão do negro no mercado de trabalho livre Convidados (as): MARCIO FARIAS, membro do Nutas (Núcleo de Pesquisa, trabalho e ação social) e do Nepafro (Núcleo de Estudos e pesquisas Afro-Americanas. KATIARA OLIVEIRA, militante da Frente Alternativa Preta e da organização Preta Kilombagem. Organização: Fórum de Cultura da Zona Leste Local: Okupação Cultural Coragem Endereço: Rua Vicente Avelar, 53 – Cohab II – Itaquera (Fica a 10 min andando da estação de trem José Bonifácio 21/06/2017 | 19h | ZONA SUL Tema: LUTAS POPULARES E DIREITOS HUMANOS Organização: Brechoteca Biblioteca Popular […]

Carta às historiadoras e aos historiadores do futuro: “negros” não são etc.

07/06/2017 — Por Douglas Belchior

    Foto de Rafael Kennedy   Por Taina Aparecida Silva Santos – Graduanda em História no IFCH/Unicamp – Militante do movimento negros do movimento de mulheres negras da cidade de Campinas e Bruno Nzinga Ribeiro – Graduando em Ciências Sociais no IFCH/Unicamp/Militante dos movimentos negro e LGBT.   Na última terça-feira, dia 30 de maio, o movimento negro brasileiro teve uma vitória histórica marcada pela adoção das cotas raciais e sociais no sistema de ingresso dos cursos de graduação da Universidade Estadual de Campinas. Passada quase uma semana do ocorrido, nos vem à mente algumas lições sobre história e memória das quais nos lembra o historiador Thomas C. Holt. Segundo ele, o cotidiano é o campo no qual os indivíduos aplicam os seus meios (Cf. HOLT, Thomas C. Race, race-Makingandwritingofhistory. In: The American HistoricalReview, vol. 100, n. 1, Feb. 1995), e, haja vista as já demonstradas seletividades nas narrativas em torno da luta pela implementação das cotas na Unicamp, podemos enxergar algumas facetas do racismo que permeiam a nossa vida social, o imaginário coletivo e que continuam demonstrando o quanto a reivindicação de um protagonismo negro ainda é vista como um problema. Dessa maneira, entre alguns alertas, gostaríamos deixar um recado […]

Uma Frente Ampla e Nacional por novos rumos para o país, sem pretas e pretos. É isso mesmo, produção?

06/06/2017 — Por Douglas Belchior

  Por Douglas Belchior   Eu havia acabado de postar um vídeo, que só fiz por se tratar do assunto mais grave do país: O escandaloso número de homicídios e do genocídio negro (http://zip.net/bvtKVC). Postei com receio de ter pegado pesado com os primos de esquerda (como eu). Mas em seguida tomei conhecimento da notícia de uma iniciativa que avalio importante: Frente Ampla Nacional Pelas Diretas Já. Li e Desacreditei (http://bit.ly/2rNLIbu). Uma Nota sobre a conjuntura do País e a necessidade de Eleições Diretas (termos com os quais concordo integralmente). 53 assinaturas. 53 organizações. 53 entidades, todas ou quase todas, do chamado “campo progressista brasileiro” ou da “esquerda brasileira”. Dentre elas, nenhuma organização negra. É certo que havia pessoas negras no encontro – vi a foto -, e é certo que cada uma das 53 siglas reunidas, cada uma delas, tem seu cômodo reservado para negros “lá em casa”. Mas ali, representando politicamente o segmento maior, diga-se de passagem, 54% da população brasileira, não, nenhum, nem mesmo as mais tradicionais como MNU, CONEN, UNEGRO, CNAB, CEN, APN’s, CONAQ, entre outras, nenhuma meu pai Oxalá, nada! Nenhumazinha para que eu não me sentisse obrigado a vir aqui escrever esse texto com […]

Um Festival de pretos e o separatismo na cabeça de cada um

23/05/2017 — Por Douglas Belchior

Seria um evento fomentado por pretos, em celebração às vertentes musicais de origem africana, o estopim da segregação?   Por Nayara de Deus Faltando poucos dias para a primeira edição do Festival Afro Music, iniciativa de um punhado de pretos que optou por promover encontro formado por staff de pretos, com line up de Dj’s e música ao vivo composto por artistas também negros – já circula, nos bastidores, que será este um festival de cunho político separatista. Não obstante tais declarações sejam conflituosas com a descrição do próprio ato, que em suas linhas explica que “O [evento] nasce da necessidade de reforçar tal protagonismo [do negro no som] por meio de manifestações musicais, além de apresentar novo panorama da música afro contemporânea e independente de SP, produzida ou, assinada por artistas pretos…]” – a boataria não parece ter surtido qualquer efeito junto ao corpo executivo da execução do festival.     “Em um evento feito por pretos para pretos, não precisam ser abertas brechas para que se tencione o debate. Sequer se faz necessária a definição de estratégia para atingir um tipo de público. Será um encontro aberto a todos os interessados, no entanto, de total cunho afirmativo. Um […]

No 13 de Maio, Negrume debate “Poderes Negros”, em Guaianases

11/05/2017 — Por Douglas Belchior

Militantes negros, professores, articuladores e artistas discutem sobre a necessidade da constituição de poderes negros que atuem conjuntamente no combate ao racismo. O encontro acontece sábado, 13/05, às 14h00 no CEU Lajeado – Guaianases   Por Negrume Seguindo uma tendência internacional, em todo o território nacional o acirramento do capitalismo e da supremacia branca, estruturou e estrutura o racismo. Aqui o que vemos há séculos é o racismo “cordial à brasileira”, que travestido de democracia, opera de diversas formas o genocídio dos povos originários e da população negra, pobre e periférica. Embora seja constantemente denunciado por vários segmentos do movimento negro, o racista e retrógrado “mito da democracia racial” é defendido ainda hoje pela mídia, por governos ilegítimos e pelo cinismo de um racismo “cordial” da burguesia branca da dita nação:“Brasil”. A grande maioria da população branca, ou não-negra, que é minoria no território nacional, ignora fatos, dados, estudos, militantes históricxs, livros e especialistas negros nas relações étnico-raciais mundo afora. Na atual conjuntura do pós-golpe institucional “brasileiro” estão acontecendo diversos retrocessos. Alguns desses retrocessos são gerais, porém notadamente mais maléficos sobre determinados corpos, em especial corpos de negras e negros. Retrocessos como a reforma da previdência, reforma das leis trabalhistas, […]

Lula, Moro e eu, no mesmo lugar de 2003 dos meus sonhos

10/05/2017 — Por Douglas Belchior

Discurso de posse de Lula em 1 de Janeiro de 2003 versus depoimento de Lula à Moro em 10 de Maio de 2017, enquanto eu sonhava.   Por Douglas Belchior “Brasileiras e brasileiros, não tomamos o poder, vencemos apenas uma eleição. E para chegar até aqui, tive que fingir. Assinei uma ‘Carta aos Brasileiros’ me comprometendo com os ricos e poderosos. Não fosse assim, nem o exército, nem os banqueiros e nem a Globo permitiriam nossa vitória nas urnas. Eles querem que eu governe para eles. Eles querem que façamos como eles sempre fizeram, política com acordos no congresso, pagamento por fora para os deputados apoiarem o governo, esquemas com empreiteiras para desviar recursos públicos para financiamento de campanha eleitoral, essas picaretagens comuns entre os partidos da direita e dos ricos, mas que nós sempre condenamos. Meu povo, minha gente, eu quero e vou cumprir meu compromisso com vocês. E para isso preciso fazer uma escolha muito importante. Para fazer uma política que garanta três refeições diárias para cada brasileiro e acabar com a miséria, para levar luz para todos, garantir o direito ao pobre de ter suas coisinhas, comprar geladeira, liquidificador, microondas, televisão, trocar sua mula por uma motocicleta, […]

Atos simultâneos pela liberdade de Rafael Braga em São Paulo e Rio de Janeiro

02/05/2017 — Por Douglas Belchior

Manifestação acontece de modo simultâneo nos dois estados. Manifestantes em São Paulo também pedem liberdade a Luciano Firmino, Ricardo Santos e Juraci Santos, militantes do MTST presos depois da greve geral do dia 28 de Abril.   Por Pedro Borges do portal Alma Preta   No dia 4 de Maio, quinta-feira, manifestantes organizam atos pela liberdade de Rafael Braga em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em ambas cidades, os protestos ocorrem de modo simultâneo em frente aos tribuinais de justiça dos respectivos estados. Na capital paulista, a vigília ocorre a partir das 18h na Praça da Sé. No Rio de Janeiro a manifestação tem início às 17h na Avenida Erasmo Braga, 115. Em São Paulo, o convite pede às pessoas comparecerem à praça com roupas pretas e velas, em homenagem a Rafael e aos demais presos políticos do país. Na capital fluminense, os manifestantes pedem cartazes com o nome do juiz Ricardo Coronha Pinheiro, responsável pela condenação do jovem negro. No meio digital, os organizadores solicitam para que se divulgue as campanhas #SomosTodosRafaelBraga e #RafaelBragaLIVRE, e troquem as fotos de perfil e capa no Facebook por mensagens de apoio ao jovem. No dia 20 de Abril, quinta-feira, o Tribunal […]

Unicamp pune estudante negro por ativismo a favor de cotas raciais

24/04/2017 — Por Douglas Belchior

Unicamp persegue e impõe suspensão de dois semestres a estudante negro, ativista do movimento de luta por cotas raciais na universidade.   Por Douglas Belchior Em nota, o Diretório Central dos Estudantes da Unicamp detalha a perseguição racista que o estudante Guilherme Montenegro tem sofrido por parte da reitoria desta universidade. Montenegro tem sido alvo de insultos e até ameaças sem que, no entanto, a reitoria se manifeste sobre isso. Ou seja, a universidade pune um estudante negro por seu ativismo por cotas raciais e democratização da instituição e por outro, é conivente com práticas racistas em seu ambiente. Segue abaixo o relato de Guilherme.     Por Guilherme Montenegro Ao entrar na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) qualquer aluno se depara com a caracterização de uma universidade de ponta, grande polo científico e tecnológico brasileiro, mas ainda assim é impossível não notar a expressão da desigualdade. Ser um estudante negro em uma universidade majoritariamente branca me fez enxergar duas coisas: 1. o quanto é difícil estar em um ambiente onde nada do que se vê foi feito para você; 2. não conseguiria, enxergando essa realidade, me calar diante de tanta injustiça. Desde o meu ingresso na Unicamp participei do movimento estudantil e pouco tempo depois do […]

Temer não é padrinho das mulheres negras, de nossa luta e história!

17/04/2017 — Por Douglas Belchior

Após declaração de Luislinda Valois, ministra de direitos humanos, de que Michel Temer seria “padrinho das mulheres negras brasileiras” (Vídeo abaixo), Marcha de Mulheres de Negras de São Paulo emite forte Nota pública   Do Facebook do Núcleo Impulsor da M.M.N   No último dia 12 de abril a ministra dos direitos humanos Luislinda Valois falou em nome das mulheres negras brasileiras afirmando que Michel Temer seria “um padrinho das mulheres negras”. A Marcha de Mulheres Negras de São Paulo não reconhece essa posição. Ao afirmar que Michel Temer tem feito bem para nós negras deste país acaba demonstrando profundo desconhecimento de qual vem sendo a posição apresentada pelo nosso movimento nos últimos anos. A política do apadrinhamento remete aos tempos coronelistas. Era através dessa forma de lidar com as pessoas que a Casa Grande mostrava sua força junto a população local e negra. Reivindicar isso é reivindicar que as mulheres negras brasileiras são seres de segunda classe e que devem baixar a cabeça para “padrinhos” brancos para assim poderem estar nos espaços de poder e da política.   A ministra pode se sentir apadrinhada por Michel Temer, pode falar em seu próprio nome, mas não no nosso!   É inconcebível […]

Nós viemos para bagunçar os lugares da mesa

17/04/2017 — Por Douglas Belchior

Por Taina Aparecida Silva Santos* – Uma reflexão sobre a luta por cotas nas universidades estaduais paulistas, em particular na Unicamp   Falar sobre o atual panorama da luta por cotas nas universidades estaduais paulistas, em particular na Unicamp, me remete a pensar numa epígrafe contida no texto Racismo e sexismo na cultura brasileira, de Lélia Gonzáles. Ela diz o seguinte: “Foi então que uns brancos muito legais convidaram a gente prá uma festa deles, dizendo que era pra gente também. Negócio de livro sobre a gente, a gente foi muito bem recebido e tratado com toda a consideração. Chamaram até para sentar na mesa onde eles estavam sentados, fazendo discurso bonito, dizendo que a gente era oprimido, discriminado, explorado. Eram todos gente fina, educada e viajada por esse mundo de Deus. Sabiam das coisas. E a gente foi sentar lá na mesa. Só que tava cheia de gente que não deu prá sentar junto com eles. Mas a gente se arrumou muito bem, procurando umas cadeiras e sentando bem atrás deles. Eles tavam tão ocupados, ensinando um monte de coisa pro crioléu da platéia, que nem reparam que se apertasse um pouco até que dava para abrir um espaçozinho e […]

MORTE DE MANIFESTANTE PELA POLÍCIA CAUSA REVOLTA NO INTERIOR DE PERNAMBUCO

13/04/2017 — Por Douglas Belchior

Mais um atentado à liberdade de expressão, à liberdade de manifestação e à (cambaleante, ou mesmo inexistente) democracia brasileira: o jovem Edvaldo Alves, de 19 anos, morreu nesta terça-feira (11), após ser alvejado pela Polícia Militar durante protesto realizado no dia 17 de março em Itambé, Pernambuco. O jovem participava, junto com outros moradores, de um ato público contra a violência na cidade, quando foi baleado por um policial militar. Já no chão, e sangrando, foi ainda agredido no rosto com cassetete e arrastado pelos policiais até a viatura da Polícia, onde foi lançado em cima da carroceria. Não apenas em Pernambuco, mas em todo o Brasil, a força policial tem sido usada de maneira indiscriminada contra trabalhadores, estudantes, contra a população organizada. Não são poucos os casos de manifestantes abordados de forma truculenta e agredidos pela Polícia Militar durante manifestações. Vivemos, cotidianamente, cenas dignas de um Estado de exceção Edvaldo foi velado na última quarta-feira (12). Uma multidão esteve presente no velório e acompanhou o cortejo. Morreu porque estava lutando. Uma luta que, como tantas, custou uma vida.   Lutar não é crime! Crime é o que o Estado faz ao atentar contra os direitos humanos de reunião e […]

Cotas raciais aprovadas no Instituto de Economia da UNICAMP

11/04/2017 — Por Douglas Belchior

Sobre o processo de COTAS no Instituto de Economia (IE) da Unicamp: O processo de Cotas no IE começa a ganhar força ainda no primeiro semestre de 2016. O cenário de recente aprovação de Cotas no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e o debate avançado que estava ocorrendo na Faculdade de Educação (FE) foram inspirações para que pessoas conseguissem levar adiante a discussão em seus institutos, foi o caso do IE, do Instituto de Geociências, do Instituto de Artes dentre outros. No IE, bem como nos outros espaços, foram promovidas atividades (tanto por parte do centro acadêmico, quanto da Frente Pró Cotas) com o fim de inteirar as pessoas sobre o debate de Cotas em âmbito nacional e internacional, bem como repensar as relações raciais no e a História do negro no Brasil. Estas atividades tinham como público alvo os estudantes, ainda que fossem abertos para professores. Neste primeiro momento, importante salientar, os professores estavam ausentes das discussões em curso no instituto. Com a chegada da greve no meio do ano (onde os alunos do IE estavam bastante presentes) as discussões tomaram uma nova proporção e os professores se inseriram de diferentes formas em meio à discussão. Nesse […]

Mbira – o instrumento-símbolo de um povo

10/04/2017 — Por Douglas Belchior

Por Luiza Gannibal Entre junho e agosto de 2016, estivemos no ventre do mundo: Zimbábue – África profunda. DZIMBA DZEMABWE. Casa de Pedras. Fortaleza espiritual. Nosso propósito era investigar as especificidades deste solo semi-árido donde brotou a riquíssima cultura do povo shona que, agora, podemos definir numa só palavra: Mbira. Na bagagem, trouxemos um material vasto, projetos mil, e a vontade de partilhar essa história. Mas… o que é Mbira? Mbira é o nome em língua shona para o instrumento tradicional do POVO SHONA (comunidade pertencente à família etnolinguística BANTU, difusa por grande parte da África subsaariana), que vive, em sua maioria, na região do ZIMBÁBUE, país que faz fronteira com a Zâmbia, África do Sul, Moçambique e Botswana. A mbira pertence à família dos lamelofones. Lamelofones são populares por toda África, e, via de regra, eles variam em número de teclas, disposição das notas, e se possuem (ou não) um ressonador (uma cabaça ou caixa de madeira que repercute o som). Kalimba, sanza, likembe, kisanji e gongoma são alguns dos nomes dados a lamelofones africanos de acordo com suas características particulares e região/povo a que pertencem. Além de ser o mais sofisticado dos lamelofones africanos, a MBIRA foi o primeiro […]

Negras e negros tomam ruas de SP contra reformas de Temer

03/04/2017 — Por Douglas Belchior

Marcha Negra reuniu uma multidão de negras e negros pelas ruas do centro de São Paulo, em protesto contra as reformas racistas e genocidas de Michel Temer.   Por Douglas Belchior, (com fotos de Jornalistas Livres, Mídia Ninja e Ponte Jornalismo)   Neste último sábado, dia 1 de Abril, diversos grupos e organizações do movimento negro de São Paulo convocaram a Marcha Negra Contra as Reformas Genocidas de Temer. A Uneafro Brasil, rede de Cursinhos comunitários para jovens negros e pobres, mobilizou seus estudantes após uma aula-pública na faculdade de direito da USP, local de concentração do ato. Em parceria com MTST, onde mantém unidades de cursinhos em acampamentos da cidade de São Paulo, mobilizaram estudantes e moradores Sem Teto. Ativistas negras de diversos grupos participaram, entre eles representações da Frente Alternativa Preta, Negras e Negros Sem Medo, Núcleo de Consciência Negra na USP, MNU -Movimento Negro Unificado, APN’s – Agentes de Pastoral Negras e Negros, Conen – Coordenação Nacional de Entidades Negras de SP, Kilombagem, Associação Amparar, Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras SP, Cooperifa, Coletivo Rosa Zumbi, além de ativistas e grupos autônomos.     A principal motivação para a Marcha são os possíveis efeitos nas condições já […]

Faculdade de Direito da Usp é ocupada por negras e negros em luta

03/04/2017 — Por Douglas Belchior

Depois da histórica aprovação da adoção de 30% de Cotas para negro/as, indígenas e estudantes de escolas públicas, a Faculdade de Direito da USP, de onde surgiram nada mais nada menos que os golpistas Michel Temer e Alexandre de Moraes, é ocupada por estudantes dos Cursinhos Comunitários da Uneafro Brasil.   Por Douglas Belchior   Neste último sábado, dia 1 de Abril, cerca de 800 estudantes dos Cursinhos da Uneafro-Brasil, das unidades da região metropolitana de São Paulo, participaram do primeiro Aulão deste ano de 2017. O Local escolhido foi a Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, centro de SP.   Trabalho de base permanente, ação direta e comunitária com prática da Educação Popular.Acreditamos nessa fórmula como alternativa de luta política antissistêmica.Emocione-se com o resultado. تم نشره بواسطة ‏‎UNEafro Brasil‎‏ في 2 أبريل، 2017   Estudantes, em sua maioria jovens negros e mulheres lotaram o pátio das arcadas e a sala dos etudantes para ouvir professores convidados em uma maratona de cidadania e conscientização. Tamara Naiz, presidente da ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos tratou do tema “O que é Ciência e Tecnologia?”, e provocou nos estudantes mais curiosidade sobre um assunto que pouco aparece em escolas […]

Faculdade de Direito da USP aprova cotas raciais

30/03/2017 — Por Douglas Belchior

Uneafro promete celebração da aprovação das Cotas em ato com centenas de estudantes negras e periféricas, neste sábado, a partir das 09h00, na SanFran.   Por Douglas Belchior e Suzy Pistache   A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – USP, aprovou nesta quinta-feira, 30, pela primeira vez em sua história, uma política de acesso com recorte explicitamente racial. A partir de 2018, o vestibular vai obedecer a seguinte distribuição de suas vagas: 20% para Pretos, Pardos, e Indígenas vindos de Escola Pública, via Enem; 10% para estudantes oriundos de Escola Pública, via Enem; 70% de vagas pelo caminho tradicional, via FUVEST. Luta histórica do movimento negro brasileiro, o acesso à universidade continua sendo um grande desafio para a população preta e pobre. A Universidade de São Paulo, bem como a Unicamp, duas estaduais que se mantém sob o rígido comando do governo tucano há décadas, mantém suas características de Casa Grande: portas fechadas para essa população. Nos últimos anos, porém, graças à pressão incansável do movimento negro, movimento de cursinhos comunitários e de diversos grupos de estudantes sensíveis às pautas, a universidade tem sido obrigada a responder. E tem feito por meio de medidas ineficazes, como nos casos do […]

“Reformas de Temer são racistas e genocidas”, diz movimento negro ao convocar protesto

30/03/2017 — Por Douglas Belchior

Por Douglas Belchior   O ataque covarde de Temer e sua rataria aos direitos fundamentais do povo brasileiro ameaça arrancar o pão de nossas mesas e colocar ainda mais armas em nossas cabeças. Não podemos fingir que não é com a gente. A população negra será, sem nenhuma dúvida, a parcela mais afetada com o fim das aposentadorias, com o desmonte dos direitos trabalhistas, com o congelamento de investimentos sociais e com o aumento da repressão, alvo naturalizado que somos, das leis punitivas e da ação violenta das polícias. É preciso reagir! Daí a importância em se somar aos esforços da unidade no campo progressista, que tem promovido crescentes manifestações em defesa dos direitos. Esta semana teremos paralisação nacional nesta sexta, 31 de Março em todo o país. E em São Paulo, as mobilizações acontecem também no sábado, dia 1 de abril. O Movimento negro está convocando uma grande marcha “Contra as Reformas Racistas e Genocidas de Temer” (Goo.gl/npvSVi), com concentração às 13h00 no Largo São Francisco, centro da capital. Esta marcha seguirá até a Avenida Paulista, onde se encontra com o já tradicional Cordão da Mentira, que se concentra em frente do MASP, a partir das 16h (https://goo.gl/cqjDaa). Abaixo o forte manifesto do […]

Como foi que perdemos tudo?

23/03/2017 — Por Douglas Belchior

  Por Douglas Belchior   Uma jovem estudante me perguntou, “Como foi professor Douglas, que os trabalhadores perderam todos os direitos que tinham conquistados com tanta luta?”. Fiquei em silencio por um instante. Depois disse à ela que os motivos foram muitos. E muito complicados. Que não dava pra explicar em pouco tempo o contexto que havia nos levado àquele dia… e então ela quis saber: “Você se lembra daquele dia? Como foi?” Então me lembrei de 2017… Era 18h55 de uma quarta-feira, 22 de Março de 2017, dia útil, horário de pico. Em Brasília, capital federal do Brasil, 513 deputados votavam (e aprovavam horas depois) um projeto de lei ressuscitado de 1998, que autorizou a terceirização irrestrita no regime do trabalho formal no Brasil. Eu estava num ônibus lotado de trabalhadores voltando pra casa depois de duro um dia de trabalho. Os trens estavam lotados, o metrô estava lotado, e, em desespero, outros cerca de 12 milhões aguardavam o dia seguinte para sair cedo de casa em busca de um emprego. As feições cansadas não pareciam estar preocupadas com o que os canalhas estavam a fazer em Brasília. Os mais jovens, belos e sorridentes, não pareciam ter ideia da importância […]

TERCEIRIZAM-ME

23/03/2017 — Por Douglas Belchior

** POR: LUARA COLPA. “Laçam-me. À mim e os meus Botam-me novamente no tronco Alugam-me e definem sobre mim todas as regras Sou escravo alugado Meu aluguel é simples: Trabalho temporário estendido a nove meses e depois me descartam Contratam outro um tal de “exército de reserva” se estabelece nesse rodízio Estamos todos à disposição. Somos mais de 60 milhões precarizados ¹ Recebemos 40% a menos pelo mesmo serviço que empresas matizes ofereciam Trabalhamos 3 horas por semana a mais A cada 10 acidentes com sequela, 8 nos afetam A cada 5 acidentes com morte, 4 somos nós Não temos alimentação, nem vale transporte Empurram-me à informalidade (enquanto as grandes empresas não precisam passar por taxação de grandes impostos e dividendos. E os latifúndios seguem basicamente sem taxação tributária ou limitação de propriedade e exploração). Alguns Órgãos Internacionais já cobram explicações sobre os trabalhadores escravos do meu país, mas o país nada faz. Terceirizaram-me. Sou escravo alugado. Alugam não só a minha força de trabalho, mas o meu futuro. (Por que motivo irei discutir minha Previdência se sequer carteira assinada tenho direito?) Com todos os recortes que quiserem me colocar: Mulher, homem, negro, trans, cis, vegetariano, “coxinha”, “mortadela”, “petralha”, “pós moderno”, “anarco”… […]

Chapa com 80% de mulheres negras busca vitória inédita em DCE da UFABC

23/03/2017 — Por Douglas Belchior

  Como no cinema, candidatura denuncia a ingrata tarefa de mulheres que trabalham duro nos bastidores para alçar os homens às maiores alturas   Por Jorge Américo*   Dias desses todo mundo correu em alvoroço para assistir nos cinemas aquela história encantadora das três mulheres negras que ajudaram a colocar um homem branco na Lua. A narrativa hollywoodiana inspirada em fatos reais provocou uma bagunça emocional nas mentes e corações dos brasileiros porque é verossímil e se repete cotidianamente na vida doméstica, no trabalho, na universidade ou na militância política. Contra essa lógica, um grupo de estudantes formado por oito jovens negras e dois negros lançou uma candidatura para representar 10.809 estudantes na Universidade Federal do ABC (UFABC).   A chapa “Universal” tenta, pela primeira vez, assumir a direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Tarefa difícil, ainda mais agora que a UFABC aparece como a 5ª melhor universidade brasileira no Índice Geral de Cursos do Ministério da Educação (MEC), tornando acirrada qualquer disputa por posições de visibilidade.   Aos 21 anos de idade Laurielen Rodrigues foi indicada para a presidência. A estudante de Ciências e Humanidades acredita que as chances são reais, mas demandam muito trabalho e organização. “A […]

Samba e Negritude: uma roda de historias e boa música na zona leste de SP

23/03/2017 — Por Douglas Belchior

“Samba & Negritude” – Uma conversa sobre as comunidades negras do samba, carnaval, indústria fonográfica e para discutir o papel do samba como organizador da população negra no combate ao racismo, acontece no próximo dia 25 de Março, na Zona Leste de SP   Por Negrume   A indústria Cultural se mostra ao longo dos anos tão racista quanto tantas outras indústrias. Esvaziamento de significados e símbolos, deslocamento de protagonismos e desrespeito a bases culturais, dentre outros crimes.   Atualmente a discussão sobre Apropriação Cultural está acontecendo graças as denúncias constantes da população NEGRA que não tolera mais ser roubada e enganada.   Nesse contexto é cada vez mais relevante e importante estudar e questionar o avanço da branquitude nos sambas através dos tempos. A entrada de empresários, carnavalescos e pessoas BRANCAS de fora das comunidades do samba, fez com que através dos tempos a manifestação cultural se distanciasse de suas origens, impediu um maior avanço anti-capitalista e anti-racista e em alguns locais descaracterizou o samba como estética musical e voz negra da cultura brasileira.   Convidamos a todxs para bater um papo sobre o racismo no samba, carnaval e indústria cultural.   Esta edição da roda do NEGRUME surgiu […]

André Sturm e o racismo insticucional de sempre

23/03/2017 — Por Douglas Belchior

Por Douglas Belchior Replico abaixo, um grito de desespero do irmão e artista popular Aloysio Letra que, em nome da luta pela cultura popular em São Paulo, entrega sua vida e é afrontado com a postura arrogante e incompreensiva daqueles que detém o poder. Sua voz representa um seguimento que tem sido alvo do ataque conservador da gestão do Prefeito Dória em São Paulo. E não por acaso, afinal, daí surgiram parte das principais lutas por direitos nos últimos anos em São Paulo. Leia e compartilhe. É importante. Por ALOYSIO LETRA Oprê ! Sou NEGRO, moro em Guaianases e não tenho relação com partidos políticos! Estou frisando isso porque faz parte de todo um contexto do que vem acontecendo comigo e daí já vou dizendo: Não sou do PT ! Nem vem com essa ! Já não bastassem todas as arbitrariedades criminosas dessa prefeitura, ontem, 21 de Março, dia Mundial de Luta contra o racismo, eu sofri discriminação e fui praticamente expulso de uma reunião pública. Os responsáveis pelo crime: André Sturm, secretário de “cultura” municipal e sua assessora Lara. Neste dia 21 de Março, aproximadamente às 17h teríamos uma reunião do Fomento a Dança, um dos fomentos ameaçados pela gestão Dória/Sturm. […]