Fanáticos messiânicos, Bolsonaro é Inri Cristo e Dallagnol o nosso Jim Jones

Mensagens do Intercept mostram o procurador psicótico em sua Cruzada, enquanto o Bolsonaro ungido no azeite diz que estamos fritos

Jair Bolsonaro de joelhos para Edir Macedo (Foto: Reprodução/YouTube)

Jair Bolsonaro de joelhos para Edir Macedo (Foto: Reprodução/YouTube)

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Ao revolver a lama, o arquivo de mensagens da Lava Jato reveladas pelo Intercept encontrou Deltan Dallagol a chafurdá-la sem nenhuma cerimônia. A última reportagem da série remete o público à definição do sujo sobre o mal lavado: “O senhor é a mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia”.

Bem, no caso de Dallagnol, errou-se a mão – as pitadas saíram, no dizer do Zero Dois, “felpudas” colheres de sopa.

O chefe da força-tarefa é alguém que cria um grupo de conversa no Telegram composto por ele mesmo e a sua pessoa, com o objetivo de enviar mensagens para si próprio. Certamente anda esquecido de seu Gardenal.

Mais assustador, no entanto, é perceber que Deltan acredita de fato no que diz (a não ser que esteja a mentir para si mesmo nas mensagens privadas consigo próprio, tudo é possível nesse manicômio).

Não se trata do picareta clássico, Maluf, Collor, Aécio, Gedel, Sérgio Cabral, os 300 picaretas que Luiz Inácio falou, dispostos a navegar ao sabor dos ventos para sempre que possível meter a boca na botija.

Não bastasse um Messias, temos dois. Deltan não se acha um interposto de Deus, ele se tem certeza. Em sua Cruzada contra a corrupção não hesitou em queimar gente na fogueira – e segue queimando. Por estar mais para Jim Jones do que para Inri Cristo, deveria ser imediatamente interditado.

“Tenho apenas 37 anos. A terceira tentação de Jesus no deserto foi um atalho para o reinado”, pregou Dallagnol a Dallagonol. “Apesar de 2022 ter renovação de só 1 vaga e de ser Álvaro Dias, se for para ser, será. Posso traçar plano focado em fazer mudanças e que pode acabar tendo como efeito manter essa porta aberta.”

Ao ser questionado pela procuradora Luciana Asper Valdir se havia chance de sair candidato ao Senado, respondeu, depois de alguma delonga, sempre segundo as mensagens mostradas pelo Intercept:

“A verdade é que quero em minha vida, em primeiro lugar, servir a Deus, e a Bíblia coloca que a vida do cristão é como o vento, que não sabe para onde vai. Se um dia decidir tentar, é porque entendi que é o melhor modo de servir a Deus e aos homens por puro espírito público, porque vontade não tenho, Lu. Qual a sua impressão?”.

A que respondeu a fiel procuradora, comungando da mesma ladainha:

“Confio plenamente que Deus o guiará em todos os caminhos. Você ouvirá a voz Dele e Ele te colocará onde Ele precisa para continuar no caminho de restauração do que deveria ser esta nação que Ele agraciou com tantas bênçãos e foi tão maltratada pelos líderes até hj. Eu confesso que peço todos os dias a Deus para colocar o poder neste país nas mãos dos filhos Dele, verdadeiros cristãos que queiram dar a prosperidade planejada para este Brasil”.

“Valeu Lu. Quando lembrar, ore por favor pelas decisões que tomamos aqui.”

Em suma, estamos perigosamente enredados numa trama sinistra. É sob os auspícios de fanáticos messiânicos que se deu a história recente do país.

Domingo passado o outro Messias recebeu a bênção do “bispo” Edir Macedo no Templo de Salomão, em São Paulo. O dono da Record atacou o “inferno da mídia”. Bolsonaro foi ungido com o “azeite da Igreja Universal”, não se sabe se extra virgem.

Dez mil fiéis presentes ao culto aplaudiram freneticamente, mas Macedo foi logo avisando sobre as preferências do Espírito Santo:

“Eu não creio que o Espírito Santo queira palmas. Ele quer que você ajude a gente a pagar nossas contas. Ele quer que você bata é a mão no bolso.” Trata-se de um picareta clássico. Mas o que dizer do Messias?

Este sem dúvida está mais para Inri Cristo do que para Jim Jones. Mas dê poder real a Inri e coisas podem fugir ao controle não apenas de suas Inrietes.

Messias quer no STF um ministro “terrivelmente evangélico”. Para a Agência Nacional de Cinema, a Ancine, alguém “que conseguisse recitar de cor 200 versículos bíblicos, que tivesse os joelhos machucados de tanto ajoelhar e que andasse com a Bíblia debaixo do braço”.

Durante a votação do impeachment da presidenta Dilma, o Brasil pode assistir à pré-estreia do filme que vemos agora. “Por Deus”, fanáticos e picaretas fizeram o que fizeram, e deu no que deu.

Acuados ambos, vejamos qual o próximo lance do nosso Jim Jones de Curitiba, do Inri Cristo e dos 12% de Inrietes que compõem o núcleo duro do bolsonarismo segundo o Datafolha. Com o último ungido no azeite, por enquanto somos nós que estamos fritos. O suicídio coletivo não está fora de cogitação.

 

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Editor-executivo online de CartaCapital, correspondente das Notícias do Hospício e apresentador da série O Infiltrado (History).

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