Unir líderes e religiosos para a paz

Centro islâmico na Vila Matilde oferece aulas gratuitas e se torna polo de resistência

Centro Islâmico Fátima Zahra

Centro Islâmico Fátima Zahra

Diálogos da Fé

O Islam vem crescendo nas periferias da cidade de São Paulo. Com suas ideias ancestrais de unir as religiões em torno de uma causa comum aos homens, está criando ações de solidariedade aos mais necessitados ao lado de padres, pastores, pais de santo, monges budistas e representantes de outras crenças.

 

No bairro de Vila Matilde, na zona leste da capital paulista, por exemplo, há um centro islâmico que leva o nome da filha do profeta Mohammad, Fatima Zahra. Foi construído pelo esforço de membros da comunidade muçulmana de brasileiros convertidos sob a liderança do sheik Rodrigo Jalloul (o primeiro daqui a se formar na Universidade de Teologia Iraniana, na cidade sagrada de Qon, que forma os mais importantes quadros teólogos da escola shiita).

O local oferece aulas gratuitas em português sobre os pilares da religião islâmica para muçulmanos ou não, além de estudos do alcorão e da língua árabe.

Torna-se ainda um polo de resistência e unidade de lutas importantes organizadas com outros grupos, como o que organiza o “Dia Mundial de Jerusalém” – marcha anual realizada na Avenida Paulista envolvendo comitês e organizações palestinas, partidos de esquerda, centrais sindicais, MST, MTST, movimento estudantil e também mesquitas muçulmanas e centros islâmicos, incluindo os integrantes da Vila Matilde.

O trabalho nas ruas é ainda ampliado pelo sheik Rodrigo Jalloul e o padre Júlio Lancelotti (presbítero católico conhecido por sua luta em favor da dignidade dos moradores de rua e de pessoas menos favorecidas, e que tem sido covardemente ameaçado e até agredido pela polícia). Na missão de construir uma ponte social interreligiosa, os dois visitam juntos, todas as semanas, a favela do Chaparral, levando café da manhã, cesta básica e produtos de higiene pessoal para seus moradores durante a pandemia.

 

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Historiadora pela PUC São Paulo. Professora da rede pública de ensino. Foi professora de história islâmica da Universidade Islâmica do Brasil (UNISB) em 2002. Escreve neste espaço às terças-feiras.

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