Diálogos da Fé

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Líderes evangélicos se aproximam do governo Lula, mas discurso de ‘perseguição’ ainda resiste

É um erro subestimar a potência dessas narrativas, principalmente durante o ápice da campanha eleitoral

O ex-presidente Lula (PT) durante encontro com evangélicos. Foto: Ricardo Stuckert
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As eleições podem ser episódicas para a maioria dos eleitores, mas para líderes políticos e religiosos envolvidos na política, a máquina eleitoral nunca para. Uma eleição começa a ser pensada assim que anterior acaba.

Uma das estratégias mais utilizadas para mobilizar o voto evangélico no Brasil é o discurso de perseguição aos cristãos. Utilizada em larga escala desde pelo menos 1989, essa tática foi vigorosamente empregada por pastores na última eleição para angariar apoio a Bolsonaro, com histórias e narrativas alarmistas de que o PT e Lula eram uma ameaça iminente à liberdade religiosa: iria fechar igrejas, proibir a fé evangélica, perseguir religiosos que não aceitassem realizar casamentos LGBT, etc…

A maioria dos líderes evangélicos, no entanto, continua numa posição oposicionista

Contudo, essas alegações não se materializaram, desgastando discursos e prejudicando a credibilidade dos líderes que a propagaram. Apesar disso, muitos líderes religiosos já estão se alinhando ao governo atual, atraídos por sua razoável (e, aparentemente, crescente) popularidade e pelos benefícios palpáveis de estar próximo ao poder. Hoje, há aproximações claras de líderes evangélicos no Congresso com o governo. Este movimento, porém, ainda está em segundo plano, principalmente porque suas bases ainda são fortemente influenciadas por campanhas antipetistas realizadas no passado.

A maioria dos líderes evangélicos, no entanto, continua numa posição oposicionista, agora voltando suas críticas para a Resolução 715 do Conselho Nacional de Saúde, alegando que ela permitiria a liberalização do aborto e o uso de maconha. O argumento é de que o PT, por debaixo dos panos, estaria arranjando jeitos de impor sua agenda – e logo os valores cristãos seriam abolidos do país. Obviamente, no período eleitoral, o narrativa será a de que será preciso votar em candidatos evangélicos para “barrar as leis que os petistas tentam passar”.

O equívoco é subestimar a potência dessas narrativas, principalmente durante o ápice da campanha eleitoral. Elas têm grande impacto e abrangência, e se os progressistas desejam mitigar seu efeito, a ação deve ser imediata. A falta de um contraponto eficaz só perpetua esse ciclo de desinformação e medo, prejudicando não apenas a política, mas o tecido social como um todo.

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