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A necropolítica de Jair Bolsonaro é inconciliável com a vida

O céu de São Paulo na segunda-feira 19 foi um prenúncio imagético do que ocorrerá se nada for feito

(Foto: Jorge Araujo/FotosPublicas)
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Em muitos temas existe a possibilidade de discordância real, baseada em projetos políticos opostos. Geralmente, isso se dá no campo das políticas públicas ou da regulação econômica. Ainda que a opção diversa da sua não pareça razoável para o interesse público (como é o caso da reforma da Previdência), há um pressuposto lógico e racional para o debate. Política tributária, econômica, reforma política, dos meios de comunicação, tudo isso entra nessa chave.

No entanto, há dois temas que estabelecem um piso que não pode ser ultrapassado. Que nenhuma divergência de projeto político justifica extrapolar. São eles: a dignidade humana e a preservação ambiental. Quando essas duas reservas são maculadas, alcança-se o ponto do inconciliável. É quando se deixa de defender as condições mínimas para a existência da vida: humana e do meio ambiente. Quando não há mais conciliação com a vida. E se tem uma política de morte.

Bolsonaro, há muito, se apresenta como algoz dos direitos humanos. Sua plataforma de campanha e seus atos como presidentes são de exaltação à tortura, incetivo ao armamento, estímulo ao trabalho infantil, alimentação do ódio, discriminação racial, regional, de classe e de gênero. Outros políticos, eleitos na sua onda, replicam o modelo facínora Brasil afora, como o governador do Rio, que comemorou como um gol o assassinato midiático do sequestrador pela polícia. O presidente zomba de um dos maiores desafios para a conquista do piso da dignidade humana no Brasil: a fome. Com fome e com tortura, nunca se deveria brincar. Bolsonaro brinca. Zomba da morte.

Agora, ultrapassou-se o segundo limite. A devastação ambiental. Não basta tirar vidas. Um passo antes. É preciso retirar as condições para que a vida exista. Imaginávamos que qualquer país civilizado fosse a favor da preservação das florestas. Mas o país das florestas não é civilizado. Bolsonaro não é civilizado. Incentiva o extermínio indígena, autoriza o desmatamento, extingue licenças ambientais e empesteia de agrotóxicos os alimentos. Bolsonaro é bárbaro.

A necropolítica de Bolsonaro é inconciliável com a vida. O céu de São Paulo na segunda-feira 19 foi um prenúncio imagético do que ocorrerá se nada for feito. A imagem do cenário após a passagem da besta: tóxico, cinza, tenebroso e desolador. Horizonte sem futuro.

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