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Troca justa

por Felipe Marra Mendonça publicado 20/05/2011 13h31, última modificação 24/05/2011 16h58
O sucesso do Netflix mostra que, diante de uma boa e legítima alternativa, o internauta deixa de lado a pirataria de filmes
Troca justa

O sucesso do Netflix mostra que, diante de uma boa e legítima alternativa, o internauta deixa de lado a pirataria dos filmes. Por Felipe Marra Mendonça. Foto: Istockphoto

Um serviço legítimo de filmes ocupa uma parte maior da banda disponível na internet americana do que qualquer outro, inclusive a troca de arquivos piratas. É uma situação inédita e que deixa por terra os argumentos dos grandes estúdios e das gravadoras, que sempre enxergaram no usuário de internet um criminoso na frente do monitor.

Essa é uma das conclusões mais interessantes de um estudo da empresa Sandvine (disponível no endereço http://www.sandvine.com/news/global_broadband_trends.asp, mediante registro), que presta serviços de gerenciamento e monitoramento para as grandes provedoras de conexão à internet.

O serviço citado acima é o Netflix (http://www.netflix.com), que ocupa 22% de todo o tráfego de banda larga na internet americana. O BitTorrent, protocolo usado para troca de arquivos entre usuários, ocupa 21% do total. Ou seja, se servido como alternativa legal, bem estruturada e de preço justo, o usuário de internet prefere pagar pelo conteúdo a pirateá-lo.

Outro ponto importante retirado do estudo da Sandvine é o quanto a internet une as pessoas em torno de eventos e como por meio dela os usuários compartilham suas impressões de um modo impossível antes do seu advento e massificação. O evento em questão é o casamento do príncipe William com Kate Middleton, no dia 29 de abril.

Durante o casamento real, o tráfego em redes de mensagens em tempo real, como o Messenger ou o Google Talk, ficou duas vezes acima do normal. Além disso, o tráfego global de vídeo aumentou em mais de 25%. O acesso a redes sociais também aumentou. O Twitter teve aumento de 30%, enquanto o Facebook teve um número de acessos 10% maior do que o normal.

O nível de utilização do Octoshape, uma plataforma usada para gerar vídeo em grandes eventos e testada durante o funeral de Michael Jackson e na posse de Barack Obama, cresceu em 60 vezes. Todas essas mudanças no curso normal da rede foram suficientes para alterar o que seria o tráfego usual da internet.

Isso sugere que agora as pessoas consideram normal assistir a um grande acontecimento na televisão, enquanto usam um laptop ou telefone celular para comentar o que se passa na tela. Mesmo sozinho numa sala, o usuário fica na companhia de milhares de outras pessoas ao redor do mundo.

O estudo também analisou o tráfego nas redes latino-americanas, mas teve como foco principal as redes celulares de dados. Ao contrário do exemplo americano, a troca de arquivos entre usuários ainda é a maior consumidora da banda, com 46% do total. É improvável que os usuários troquem arquivos a partir de seus celulares, ou seja, a maioria destes possui um laptop com placa de rede móvel. Depois da troca de arquivos, o acesso a sites tem 16% do uso total, e o uso de redes sociais chega a 13%.

A diferença entre o uso para troca de arquivos e o simples acesso a sites é muito grande para concluir que a existência de um serviço semelhante ao Netflix na América Latina resolveria a questão da pirataria de filmes na internet, mas o exemplo americano aponta que, presente uma boa e legítima alternativa, a pirataria é deixada de lado.