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The Observer

Sonda espacial Gaia busca a energia escura da galáxia

por The Observer — publicado 21/11/2013 05h59
Nave robô vai revelar como a Via Láctea começou e avisar a Terra sobre colisões com asteroides
D Ducros/ESA/B. Fugate (FASORtronics)/ESO
Gaia

A Gaia vai mapear a galáxia com grande acurácia

Por Robin McKie

Cientistas europeus se preparam para lançar uma sonda que vai transformar nossa compreensão da galáxia. A espaçonave, chamada Gaia, vai carregar a maior e mais precisa câmera do mundo, que usará para localizar mais de um bilhão de estrelas com precisão inédita e criar um mapa em 3D da Via Láctea.

As vastas quantidades de dados gerados pela espaçonave robô de 2 bilhões de libras esterlinas – construída pela Agência Espacial Europeia (ESA) – vão revelar como a Via Láctea se formou e como ela evoluirá nos próximos bilhões de anos. Além disso, Gaia vai localizar centenas de milhares de planetas distantes em órbita de outras estrelas; pesquisar asteroides que hoje orbitam próximo do Sol, advertindo sobre algum que esteja em rota de colisão com a Terra; e fornecer pistas sobre a energia escura, a força misteriosa que, acredita-se, permeia o espaço e empurra o universo, afastando seus corpos.

"Vamos reescrever todo o mapa de estrelas e todo livro de astronomia que escrevemos durante séculos", disse o professor Mark McCaughrean, assessor científico sênior da ESA. "Graças a Gaia, descobriremos como a Via Láctea foi montada. E em boa medida ela nos fornecerá um sistema de aviso precoce para asteroides que rumam na direção da Terra."

A sonda de 2 toneladas, que levou mais de dez anos para ser construída, deverá ser lançada em 20 de dezembro em um foguete Soyuz russo, do espaçoporto da ESA na Guiana francesa. Quando estiver em órbita, levará vários meses para preparar seus delicados instrumentos para serem usados. A sonda levará então cinco anos para completar as observações da galáxia.

"Durante sua vida útil, Gaia vai registrar a posição, a luminosidade e a temperatura de todo objeto celestial que entrar em seu campo de visão", disse o cientista Jos de Bruijne, do projeto Gaia. "Vamos fazer isso com cerca de um bilhão de estrelas na Via Láctea."

A câmera de 1 bilhão de pixels a bordo de Gaia contém mais de 100 detectores eletrônicos separados e pode fazer medições com uma precisão surpreendente. "Ela pode medir as posições das estrelas com uma precisão de 10 microarcossegundos", disse o professor Gerry Gilmore, um dos principais cientistas da missão. "Isso significa que ela consegue localizar estrelas com uma precisão equivalente a um botão de camisa na superfície da Lua. Quando Gaia tiver completado sua pesquisa de cinco anos, saberemos onde está tudo dentro de nossa galáxia – pela primeira vez –, e isso nos ajudará a responder a um conjunto crítico de perguntas: quando, como e de que se formou a Via Láctea?"

Gaia vai orbitar o Sol a cada ano, permitindo que fotografe estrelas de posições ligeiramente diferentes no espaço. Deste modo, será capaz de criar um mapa em 3D da Via Láctea. Seus instrumentos também poderão detectar como essas estrelas se movem no espaço enquanto giram em torno do centro de nossa galáxia. Quando tivermos registrado como as estrelas se movem pela Via Láctea, começaremos a compreender como a galáxia se formou. Acreditamos que isso aconteceu em parte devido à condensação de uma antiga nuvem de poeira e em parte absorvendo outras galáxias menores em nossa parte do universo", acrescentou McCaughrean. "E as lições que aprendermos sobre o nascimento de nossa galáxia serão cruciais para nos ajudar a compreender como as outras galáxias se formaram. Esta é uma das grandes questões que afetam a astronomia moderna, e Gaia vai ajudar a solucioná-las."

A capacidade da sonda de medir objetos distantes com tremenda precisão também ajudará os astrônomos em sua busca por estrelas com planetas ao seu redor. Esses planetas fazem uma estrela oscilar em seu movimento pelo espaço, e Gaia será capaz de localizar esses sistemas solares distantes. Além disso, os instrumentos de precisão da espaçonave permitirão que ela rastreie asteroides perto do Sol e localize os objetos cujas órbitas chegam até a Terra, colocando-os em risco de colisão com nosso planeta.

"A câmera de Gaia vai medir com tal precisão que será capaz de ver como a gravidade de objetos como o Sol e até Júpiter distorce o espaço-tempo", acrescentou Gilmore. "Isso nos dará a oportunidade de fazer o teste mais rigoroso da teoria da relatividade geral de Einstein. Teremos uma ideia precisa de como a gravidade distorce o espaço-tempo, e isso por sua vez nos dará uma ideia da natureza da força chamada energia escura, que se contrapõe à gravidade, afastando as coisas. Esta sonda vai transformar nossas ideias sobre o cosmo."

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