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Kinect

Revolução nos videogames

por Felipe Marra Mendonça publicado 30/12/2010 10h30, última modificação 30/12/2010 11h08
Ao lançar o Kinect, a Microsoft propõe ao jogador usar apenas o próprio corpo para brincar diante da tela

Ao lançar o Kinect, a Microsoft propõe ao jogador usar apenas o próprio corpo para brincar diante da tela

O Kinect, que a Microsoft lança no Brasil no dia 18 ao preço de 600 reais, é tido pela empresa como um acessório que vai revolucionar o mundo dos videogames. Ele é um sensor que funciona plugado a um Xbox360 e rastreia os movimentos do jogador, transportando-os para a tela. O Kinect consegue isso por meio de uma combinação de microfones e câmeras. O microfone também permite que o jogador dite comandos. Tudo isso em conjunto gera um meio de controle parecido com o usado por Tom Cruise no filme Minority Report.

É difícil pensar no que o Kinect traz para o jogador sem imaginar que a Microsoft simplesmente atualizou a experiência inaugurada pela Nintendo com o Wii. Trata-se de uma meia verdade. É inegável que a Nintendo trouxe o conceito do controle por gestos para o mercado de uma forma que cativou uma gama enorme de usuários, desde jogadores mais experientes até novatos completos, que antes tinham até receio de chegar perto de um console para jogar qualquer coisa. Prova da popularidade do Wii foi a criação de uma liga virtual de boliche entre aposentados americanos depois do lançamento do console. Muitos deles nunca tinham tocado num controle, mas não se intimidaram com os jogos do Wii.

A diferença entre o Kinect e o Wii é a quantidade de movimentos aceita pelos sistemas. O Wii traduzia o que o jogador fazia enquanto segurava o controle nas mãos. O Kinect é muito mais ambicioso. Ele acompanha toda a movimentação do corpo do jogador e pode distinguir entre os diferentes rostos dos jogadores. Isso evita uma certa “trapaça” realizável com o Wii: era possível fazer a movimentação com as mãos e mesmo assim continuar confortavelmente sentado no sofá e evitar maiores exercícios. O Kinect não aceita que um jogador fique sentado, o que pode eliminar a constante reclamação de que as crianças não se movimentam mais porque ficam horas na frente da televisão ao jogar videogames.

O sistema monitora 48 partes do corpo em três dimensões e distingue entre movimentos das mãos, dos pés, da cintura, dos joelhos e da cabeça. Ou seja, ao contrário do wii, o jogador nem precisa mais segurar um controle. Além disso, se o jogador trocar de lugar com outra pessoa, o kinect reconhece o novo rosto e faz a troca virtual. E caso o jogador saia da sala, o sistema pausa o jogo automaticamente.

E o Kinect realmente precisa de uma sala ou espaço grande para funcionar direito. Os sensores dentro do acessório precisam de uma boa distância do jogador, para conseguir interpretar seus movimentos corretamente e ler o rosto adequadamente. O jogador não pode estar muito próximo da televisão e também não pode ir muito para os cantos.Isso ativaria a pausa no jogo, descrita acima.

Com tudo isso, o Kinect realmente fica entre uma evolução da tendência iniciada pela Nintendo com o Wii e uma revolução no modo como os jogadores se relacionam com o que se passa na tela. O preço do acessório no Brasil fica bem acima do cobrado nos Estados Unidos (150 dólares), mas a experiência de controlar um jogo com o corpo, dispensando o uso de um controle, é a compensação para os consumidores brasileiros.