Você está aqui: Página Inicial / Tecnologia / O crescimento dos jogos para celulares pode indicar o fim dos consoles?

Tecnologia

Em movimento

O crescimento dos jogos para celulares pode indicar o fim dos consoles?

por Felipe Marra Mendonça publicado 23/03/2011 10h33, última modificação 23/03/2011 10h38
Criador de jogo para Iphone afirmou que “o centro da gravidade” dos jogos tinha se mudado para os smartphones.

Há duas semanas, durante o lançamento do iPad 2, o criador de um dos jogos de maior sucesso na plataforma iPhone/iPad levantou um assunto polêmico ao dizer que “o centro da gravidade” dos jogos tinha se mudado para os aplicativos móveis. As palavras do finlandês Peter Vesterbacka, criador do jogo Angry -Birds, eram uma clara provocação à Nintendo, que mostrava o portátil 3DS no mesmo dia em São Francisco.
Agora o finlandês decidiu cutucar uma indústria inteira ao dizer, durante a conferência South by Southwest Interactive, em Austin, no Texas, que os jogos de consoles como o PlayStation 3 da Sony, o Xbox 360 da Microsoft e o Wii da Nintendo estão “morrendo” com o crescimento dos jogos para smartphones como o iPhone ou da plataforma Android. É certo que Vesterbacka fala a partir da própria experiência. Mais de 100 milhões de cópias do Angry Birds foram baixadas por usuários nas diferentes plataformas em que o jogo está disponível e a sua companhia, a Roxio, recentemente conseguiu investimentos de cerca de 42 milhões de dólares.

O problema é que o raciocínio de Vesterbacka fica um pouco influenciado pelo próprio sucesso do Angry Birds, que teve, afinal, investimento inicial de 140 mil dólares e o fez ficar muito rico. Qualquer um na mesma situação também acreditaria que o futuro está nos jogos para smartphones. Acontece que o sucesso dos jogos em celulares não implica necessariamente a morte dos consoles. É mais ou menos o que foi dito quando os consoles tiveram uma explosão de vendas, em especial com o advento do PlayStation 2, em 2000. Então a aposta era que o crescimento dos consoles resultaria necessariamente no declínio terminal dos jogos para PCs. Isso não aconteceu e os jogos para PCs continuam fortes.
O mesmo vale para o suposto golpe de misericórdia dado pelos jogos “móveis” no mercado dos consoles. Como bem escrito por Joel Johnson no blog Kotaku, quem gosta de jogar um pouco de Angry -Birds no seu iPhone a caminho do trabalho também pode perfeitamente chegar em casa e passar horas no mundo criminoso de Grand Theft Auto IV (GTAIV). Gostar de um título não exige deixar de jogar o outro. Eles são complementares. E essa diferença no modo como os usuários encaram os jogos é benéfica para o próprio Vesterbacka e a Roxio. Como descrito acima, o Angry Birds custou 140 mil dólares para ser criado e até agora vendeu 100 milhões de cópias. O GTAIV, da Rockstar, teve desenvolvimento de 100 milhões de dólares e custava cerca de 60 dólares quando foi lançado, contra 99 centavos de dólar do preço do Angry Birds.
Uma provocação de Vesterbacka contra a indústria dos portáteis talvez tivesse mais razão. Quem carrega um iPhone no bolso talvez não queira levar também um Nintendo 3DS, visto que a qualidade dos jogos tende a ser a mesma, ainda que o portátil da Nintendo tenha poder de processamento maior que um smartphone. Mas quem joga um Tetris aqui e ali não vai deixar de jogar um Halo em frente à TV. O anúncio da morte dos consoles foi muito prematuro.