Você está aqui: Página Inicial / Tecnologia / Trio que simulou a vida real leva o Nobel de Química

Tecnologia

Ciência

Trio que simulou a vida real leva o Nobel de Química

por AFP — publicado 10/10/2013 09h54, última modificação 10/10/2013 10h14
O austríaco Martin Karplus, o britânico Michael Levitt e o israelense Arieh Warshel desenvolveram modelos de simulação em computadores
Claudio Bresciani / AFP
Premiados

A partir da esquerda, Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel

O prêmio Nobel de Química 2013 foi concedido nesta quarta-feira 9 a Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel pela elaboração de simulações por computador utilizadas para entender e prever processos químicos. O austríaco Martin Karplus, o britânico Michael Levitt e o israelense Arieh Warshel, que também possuem a nacionalidade americana, ganharam o Nobel "pelo desenvolvimento de modelos multiescala para os sistemas químicos complexos", indicou em um comunicado a Real Academia de Ciências sueca, que concede o prêmio.

Nos anos 1970, Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel assentaram as bases dos potentes programas utilizados para compreender e prever os processos químicos, que têm aplicações ilimitadas, não apenas para os pesquisadores, mas também para os engenheiros e para a indústria.

"O conhecimento detalhado dos processos químicos permite optimizar os catalisadores, os medicamentos e as células fotovoltaicas", indicou a Academia como modo de exemplo.

"Os premiados com o Nobel de Química 2013 tornaram possível cartografar os misteriosos caminhos da química mediante o uso de computadores", diz ainda o comitê.

O trabalho destes três químicos ajudou a desenvolver modelos informáticos que reproduzem a vida real "que se tornaram cruciais para a maioria dos avanços na química atual". "Antes, os químicos criavam modelos de moléculas recorrendo a bolas de plástico e bastões. Hoje, a simulação é feita por computador", explicou.

Os químicos de todo o mundo desenvolvem experimentos diariamente em seus computadores utilizando os métodos que os três premiados começaram a desenvolver na década de 1970, indicou a Academia. Karplus, de 83 anos, Levitt, de 66, e Warshel, de 72, conseguiram fazer coabitar no estudo dos processos químicos a física clássica newtoniana com a física quântica, que responde a regras fundamentalmente diferentes. Isto aumenta enormemente o número de permutações de cálculo, embora também exija um computador muito potente para analisar os dados.

"A força dos métodos que Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel desenvolveram é que eles são universais", declarou a Academia. E ainda acrescentou que "os modelos de computador desenvolvidos pelos premiados com o Nobel de Química 2013 são ferramentas poderosas".

Karplus, de 83 anos, é professor da Universidade de Harvard; Levitt, de 66, da Universidade de Stanford, e Warshel, de 72, da Universidade do Sul da Carolina.

Karplus desenvolveu a equação Karplus, utilizada na ressonância magnética nuclear (RMN), um fenômeno aplicado em química, em física dos materiais e, sobretudo, em medicina. Levitt e Warshel foram os primeiros a publicar, em 1976, a simulação informática de uma reação enzimática, as proteínas que regem quase todas as reações químicas no seio das células vivas.

Os três premiados receberão o prêmio em uma cerimônia que será realizada no dia 10 de dezembro em Estocolmo e dividirão as 8 milhões de coroas concedidas (916.000 euros).

No ano passado, o prêmio Nobel de Química foi concedido aos americanos Robert Lefkowitz e Brian Kobilka por identificarem um tipo de célula receptora, proporcionando uma visão vital de como o corpo funciona em nível molecular.

Leia mais em AFP Móvel

registrado em: