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New York Times cobra por conteúdo online, mas utiliza modelo complexo

por Felipe Marra Mendonça publicado 31/03/2011 16h56, última modificação 31/03/2011 16h56
New York Times passará a cobrar pelo conteúdo on-line, mas os pacotes disponíveis desafiam a inteligência dos leitores.

O New York Times revelou na semana passada os detalhes do plano para passar a cobrar pelo conteúdo no seu site (nyt.com). É a segunda vez que o jornal norte-americano decide fazer isso. Durante a primeira tentativa, o TimesSelect durou de 2005 a 2007 e foi extinta por não ter contado com a explosão dos anúncios on-line e o montante de leitores que chegava ao site via resultados de buscas, algo que fez a base de assinantes “digitais” do jornal se tornar algo essencialmente irrelevante em termos de receitas.

Agora, depois de 14 meses e mais de 40 milhões de dólares investidos, o esquema de cobranças parece ter sido criado para confundir o leitor – a ponto de fazê-lo pagar como se pedisse misericórdia entre tantas opções possíveis. Vamos a elas. Em primeiro lugar, o leitor pode ler 20 páginas gratuitamente. E também pode ler outras cinco páginas caso tenha caído numa página do Times a partir de um resultado de busca. Ou caso tenha acessado uma matéria a partir de um blog do mesmo jornal. Ou mesmo clicado num link postado em outro site. Mas isso não é garantido. Pode dar certo, ou o leitor pode dar com a cara na página de cobrança.

As opções pagas são curiosas. Em primeiro lugar, caso o leitor seja assinante da edição impressa do jornal, a edição digital é gratuita. Isso é um alívio, mas a proporção de assinantes “físicos” que acessam o site atualmente é pequena. Por 15 dólares a cada quatro semanas é possível acessar o site a partir de um computador ou um smart-phone. Mas não a partir de um tablet – o site bloqueia o acesso desse tipo de aparelho. O leitor possui um iPad ou Samsung Galaxy Tab? Sem problemas. O acesso custa 5 dólares extra, ou seja, sai por 20 dólares. Mas aí perde-se o acesso via smartphone. Paga-se mais, recebe-se menos.

É justo aqui sublinhar que, com esse modelo, o New York Times cria um novo paradigma no sistema de assinaturas. É inegavelmente obtuso, mas também radical. É como se uma companhia de TV a cabo passasse a cobrar um preço diferente pelos pacotes de canais, mas não pelo número de canais presentes no mesmo pacote, e sim pelo tamanho da televisão do assinante. O consumidor possui uma TV de 20 polegadas? O preço é um. Ou será que tem a sorte de ter uma TV de 52 polegadas? Se a resposta for afirmativa, ele passa a pagar três vezes mais. Um outro exemplo seria se a Apple cobrasse preços diferentes pelas músicas no iTunes Store. Um preço para quem ouvisse a música com fones de ouvido, outro para quem quisesse ouvir tudo numa caixa de som.

Mas o melhor fica por conta do raciocínio dos executivos do New York Times, que parecem tentar achar algum modo de justificar o modelo de assinaturas. Martin Niesenholtz, diretor da divisão digital do jornal, disse que uma das razões encontradas pelo jornal para instituir as assinaturas é que as pessoas se sentiam culpadas por não pagar pelo conteúdo no site. “Acho que a maioria das pessoas são honestas e se preocupam com o bom jornalismo e o New York Times. Quando você analisa as pesquisas que nós fizemos, uma boa parcela das pessoas dizia ‘poxa, a gente se sentia meio mal de conseguir tudo isso de graça por todos esses anos. Queremos dar um passo adiante e pagar, porque sabemos que estamos apoiando uma instituição de grande valia’”. Boa sorte a ele e aos pecadores que decidirem pagar pelo novo site.