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Literatura só para o iPad

por Felipe Marra Mendonça publicado 11/08/2010 12h06, última modificação 11/08/2010 12h06
Autor japonês Ryu Murakami radicaliza a aposta nos bits e lança obra exclusiva para o tablet da Apple

Autor japonês Ryu Murakami radicaliza a aposta nos bits e lança obra exclusiva para o tablet da Apple

Atransição da celulose para os bits prossegue em ritmo acelerado. Depois do lançamento do novo Kindle a um preço ainda mais convidativo (mostrado abaixo, no Prazer de Ponta) e de um aumento na venda das versões eletrônicas de livros pela Amazon a ponto de ultrapassarem a venda de livros de capa dura, como noticiado na edição 606, agora é a vez de um renomado autor decidir deixar para trás sua editora e lançar um livro em parceria com a Apple em formato exclusivo para o iPad.

O pioneiro é Ryu Murakami, com seu livro A Singing Whale. Figura importante da cena literária japonesa, Murakami rasgou o contrato com a editora Kodansha e decidiu apostar no número de compradores do iPad como um mercado de leitores em potencial, um público que se interessaria pelo seu texto e um punhado de extras interessantes como vídeos com trilha sonora feita pelo compositor Ryuichi Sakamoto. Outros autores tinham flertado com a ideia, como o americano Stephen King, que decidiu lançar Blockade Billy como um livro eletrônico alguns meses antes do lançamento da versão “física”, mas ainda não existia uma aposta tão radical na mídia “impressa-eletrônica” como a feita por Murakami.

Parte do que atrai os autores para o formato eletrônico é a possibilidade de se tornar um gerente total da sua obra, sem precisar passar por agentes literários ou editoras. A revolução que isso deve causar no mercado de livros é semelhante à que provocou a banda britânica Radiohead, quando lançou o disco In Rainbows em outubro de 2007, como um download eletrônico e permitiu que os fãs pagassem o que quisessem pela obra, até mesmo que a baixassem de graça. Pouco antes do lançamento do disco, o vocalista da banda, Thom Yorke, disse à revista Time que tinha uma boa relação com a sua gravadora, “mas chega uma hora em que você precisa se perguntar se realmente precisa deles. E, sim, provavelmente nos dá algum prazer perverso em poder dizer ‘foda-se’ a esse modelo de negócios em decadência”. Talvez a discrição japonesa de Murakami o impeça de fazer semelhante julgamento da indústria editorial, mas é certo que sua aposta além dos livros trai sua inclinação.

Outro serviço de assinatura de músicas chega à web. Depois do Spotify, por enquanto somente acessível na Europa, agora é o Rdio, nos Estados Unidos. Criação de Niklas Zennström e Janus Friis, fundadores do Skype, o Rdio oferece 7 milhões de músicas. O número é menor do que os 13 milhões disponíveis no iTunes, mas a diferença é: por pouco menos de 10 dólares por mês é possível ouvir todas, sem qualquer restrição, quantas vezes o usuário quiser. As músicas podem ser acessadas via qualquer navegador, ou por aplicativos disponíveis para iPhone, celulares com sistema Android ou aparelhos Blackberry.

A diferença entre o Rdio e o iTunes é que, no novo serviço, as músicas não são propriedade do usuário. Ele as acessa quando quiser, mas elas não ficam gravadas no disco rígido. Isso pode parecer ruim, mas os mesmos 10 dólares comprariam, no máximo, cerca de 13 faixas no iTunes. O que é melhor: ter 13 faixas permanentes ou cerca de 7 milhões disponíveis em diversos aparelhos? Não é à toa que a computação “nas nuvens”, como é chamada a tecnologia de armazenamento em servidores remotos, torna-se cada vez mais atraente.