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Internet é o presente... e o futuro?

por Tão Gomes — publicado 30/01/2012 14h02, última modificação 30/01/2012 14h10
Autor do livro 'Os Imperfeccionistas' ressalta que a Internet já cativou a todos, mas começa a embrulhar o estômago pelo excesso de informação. O que virá na próxima geração?

Sai este mês pela Record o livro os 'Os Imperfeccionistas' , e já entra com certeza entre os best-seller. Tem sido assim onde foi lançado.  Trata de um assunto ultra-contemporâneo – a internet. E diz, com todas as letras,  que o mundo deve se preparar para uma nova era:

a dos desconectados.

O autor, Tom Rachman, é um ex-editor do International Herald Tribune que parte de uma constatação que me parece correta.

Depois de cada grande mudança social vem o contra-fluxo. Ao analisar a internet ele constata que as pessoas, entusiasmadas com a novidade, iriam engolir tudo o que encontrassem pela frente. Até que o estomago comece a se embrulhar.

Ele conversou com a repórter Thais Caramico, do Estadão.com. Claro, graças à essa maravilha que é internet. E prevê, num futuro próximo, o surgimento de uma nova geração – que poderá ser  Y ou Z, mas que vai se caracterizar pelo desmanche desse mito, hoje um adorado.

Os primeiros sinais, segundo Rachman, estão à vista. Já existe um grupo grande de pessoas, que ele define como os “românticos”, que se recusaram a entrar na era provocada pelas chamadas “novas tecnologias”.

Esses “românticos” certamente já perceberam que a internet, apoiada em pilares como os facebooks, twitteres, etc...,  acabam banalizando a vida dos indivíduos, e aí entram seus sonhos misturado com sentimentos, ansiedades, angustias existenciais, etc... Essa percepção fará com que o número de “off-liners” cresça dia-a-dia.

Essas pessoas, que Rachman define como “saudosistas de um mundo desconcertado”, acabam percebendo a degradação do próprio conhecimento via internet.

Nadando num mar de informações cada vez mais turbulento e contraditório vão  perdendo a capacidade de  concentração e aumentando a facilidade com que a memória deixa de guardar o que lemos ou onde lemos.

Rachman cita dois livros que tratam do fenômeno, 'A Geração Superficial'  (Ed. Agir), de Nicholas Carr, e 'A Arte e a Ciência de Lembrar de Tudo'  (Ed. Nova Fronteira), de Joshua Foer. “Hoje em dia, não sabemos nem nosso próprio número de telefone”, diz.

É comum ouvir que a tecnologia nos torna mais produtivos e nos põe em contato com o mundo. No entanto, a enciclopédia da internet e todas as suas possibilidades funcionam como uma injeção de ansiedade e trazem forte sentimento de solidão.

Basta ver um grupo de amigos no bar. Sempre tem alguém que está ali, mas não está, pois está online. Ele chama isso de falta de presença.

O livro de Rachman é crítico (mas não o bastante, eu seria mais... ) ao tratar das redes sociais. Segundo ele, a compulsão do ser humano é entrar em contato com as pessoas. Mas isso, feito via internet, acaba gerando, com o tempo, um profundo isolamento.

Bem, para concordar com Rashman, ou pelo menos com parte do que ele afirma, de que consumimos de tudo o que aparece via internet, inclusive uma grande quantidade de lixo, não é preciso ir longe.

Basta abrir a homepage de alguns dos nossos portais onde se misturam, sem que um leitor desatento perceba, noticias do mundo real, com detalhadas informações sobre os “reality-shows” ou mesmo das novelas de televisão.

A culpa no caso, não é da tecnologia, mas sim da maneira e com que objetivo o  brasileiro usa a internet.

Na home do UOL, de segunda-feira,  11h00,  entre os cinco assuntos mais clicados, o primeiro e o quarto referiam-se ao BBB da Globo.

O segundo, a um desses novíssimos personagens das brutalidades que se pode assistir nos “octógnos” (a nova versão do quadrilatero do bom e velho boxe). E o quinto item mais procurado no UOL, informava que Danielle Winits ainda estava internada após a queda de 4 metros.

Nos preocupamos com a saúde da moça e desejamos a ela uma rápida recuperação.

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