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Lançamento

Guerra ao CD

por Felipe Marra Mendonça publicado 10/11/2010 11h49, última modificação 10/11/2010 11h49
Os lançamentos da Apple têm em comum o fato de dispensar os tradicionais dispositivos usados para armazenar dados

Os lançamentos da Apple têm em comum o fato de dispensar
os tradicionais dispositivos usados para armazenar dados

A Apple anunciou uma série de produtos durante uma apresentação em sua sede em Cupertino, na Califórnia, na quarta-feira 20. Dois deles são importantes pelo significado para o futuro dos computadores e o modo como interagimos com eles. O primeiro, o sistema operacional OS X Lion, traz avanços importantes para a indústria de software. Um deles é o uso cada vez maior dos gestos na hora de interagir com o computador, para além dos cliques e na direção do que é feito hoje no iPad ou no iPhone. Durante a apresentação, o CEO da companhia, Steve Jobs, comentou que a empresa brincou com o conceito de telas sensíveis ao toque para computadores, mas que tocar numa tela por muito tempo cansa os braços e que esse tipo de interação precisa acontecer no plano horizontal.
O outro avanço contido no Lion é o Apple App Store. Ele funciona da mesma maneira como o App Store para o iPhone, o iPad ou o iPod: o usuário compra novos aplicativos com cliques e tudo é instalado e atualizado sem grandes sobressaltos. Isso significa que o ato de ir até uma loja para comprar um programa para o computador está com os dias contados. Mais do que isso, quer dizer que softwares não vão mais ter uma presença, física como uma caixa, um CD e um manua­l de instruções. Isso não quer dizer que essa tentativa não tenha sido feita antes. Várias companhias tentaram distribuir softwares pela internet, mas até agora não existia um ponto central que reunisse tudo de modo conveniente para o consumidor. Outro ponto importante é que, com esse novo modelo de distribuição, a Apple sinaliza o fim das mídias físicas. Tanto CDs quanto DVDs e mídias mais recentes, como discos Blu-ray, vão continuar a existir como um meio de armazenar dados, mas não para distribuição de software. Isso é importante, principalmente tendo em vista o impacto que o iTunes e o modelo de vendas de música ­pela ­internet tiveram sobre a venda física de músicas em CDs.
A segunda parte da cruzada da Apple contra as mídias físicas é o lançamento do novo MacBook Air. Para conseguir montar um laptop tão fino, a empresa decidiu acabar com o uso de drives de mídia ótica, onde o usuário poderia inserir um CD ou um DVD para instalar um programa, ouvir músicas ou assistir filme. O crescimento da distribuição digital desses produtos acaba com a necessidade de ter um drive físico. Os mais céticos diriam que ele se torna necessário na hora de reinstalar o sistema do computador quando ele encontra um problema mais crítico.

A Apple respondeu ao incluir na caixa do MacBook Air um cartão de memória que pode ser inserido na entrada USB do laptop e que contém tanto o sistema operacional quanto todos os programas críticos para a sua operação. Isso faz sentido, já que o tamanho desse pacote de software não caberia em um DVD e um cartão de memória é bem mais portátil que um disco.
Todos esses avanços podem muito bem sinalizar o fim dos CDs e dos DVDs, pelo menos no plano de distribuição de software. Diga adeus aos disquinhos.